sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Resposta a comentário...

Olá amigo João,
tentei responder ao seu comentário, no mesmo local onde o colocou, mas como não consegui, pois dava sempre a mesma mensagem: “O seu HTML não pode ser aceite: Must be at most 4,096 characters”, porque me alongo sempre nos comentários, aqui vai:
Sim, as minhas férias foram mesmo como descrevi. Aliás aquele texto foi mesmo escrito enquanto lá estive e pude usufruir de tudo o que a vila nos oferece. Se pudesse voltava para lá outra vez, lol.
Espero que as suas também tenham sido, ou estejam a ser (se for caso disso) boas.
E não tem nada que me agradecer. Tem um talento nato com as palavras; ao lê-lo parece que tudo lhe saiu assim sem muito esforço. Eu pelo contrário, só consigo escrever algum verso de jeito, quando estou mais inspirada. Eu necessito de inspiração, o João parece que já nasceu inspirado.
Foi um sucesso a sua participação no blog da Susana, e deu uma lição a muita gente. Não era e continua a não ser, o prémio que está em causa, mas o simples facto de participar; o facto de divulgar uma vila que tão poucos conhecem. Eu própria, ainda ando a descobri-la...
Sabe que, em Julho quando lá estive, entrei pela 2ª vez na capela de Sto. António, na devesa. A primeira vez que lá tinha entrado não achei nada de especial, só que desta vez entrei com uma das poucas velhinhas da terra, e com ela, foi fascinante entrar na capela, pois houve mesmo um regresso ao passado, à História da capela. Com ela vi pormenores que não tinha sequer reparado da 1ª vez; tal como a data de 1725, inscrita no púlpito em granito. Uma data tão sumida, que é preciso tocar, para “ver”, porque ao tocar, delineamos os números com os dedos, e aí sim, parece que surge logo nitidamente, diante de nossos olhos, a data tão antiga. Ao tocar com os dedos na pedra gravada, imaginamos quem terá esculpido e como o terá conseguido fazer, naquela rocha secular. E então, invade-nos uma estranha sensação de retorno ao passado... Uma sensação fascinante...
Às vezes olhamos as coisas e nada vimos. É preciso aprender a olhar, é preciso deixarmo-nos levar pelas histórias dos sábios filhos daquela terra. Histórias passadas de geração em geração, e que seria uma pena não serem transmitidas a nossos filhos.
Às vezes é preciso conhecer a aldeia, com quem ali nasceu e cresceu. Acho que só assim se poderá conhecer a “alma” de Salvaterra, que tanto tem para nos contar, para nos mostrar. Coisas que por vezes passamos e nem sequer vemos ou reparamos, mas que estão lá, e que resistiram até aos dias de hoje.
O amigo João acredita que desde menina vou àquela terra, e só este Verão “descobri” o antigo cemitério romano? O que de fora só tem paredes em pedra, com as janelas tapadas também com pedras e um portão? Por fora nada parece, e quem olhe através do portão só vê enormes silvas secas. Mas quando se é mais arrojado como eu fui desta vez, descobre-se a História.
Ao olhar para a simples guita que mantinha o portão fechado, não resisti a desatá-la e a entrar. Como ia com minha mãe nem tive tempo de olhar tudo como deve ser, porque ela, supersticiosa, nem queria que eu lá entrasse. Ia perturbar os mortos, dizia ela. Mas onde há História, lá estou eu, nem que seja num cemitério, lol.
E só tive tempo de ver o enorme túmulo, todo construído em granito, com as pedras enormes, mas tão direitinhas e tão bem cortadas. E dou comigo a pensar: como será que os romanos conseguiam cortar tão bem a rocha? O túmulo estava assente no que minha mãe do portão me dizia ser um altar (sim, porque ela nem se atreveu a entrar...). E quando se olha para cima,vê-se um arco também em pedra, mas este já meio destruído.
Nem tive tempo para tirar uma foto do interior, pois minha mãe já dizia ser um sacrilégio ter entrado ali, quanto mais tirar fotografias. E que só a filha dela tem estas ideias, e blá, blá, blá... Acabei por lhe fazer a vontade e vim-me embora, mas com o pensamento de um dia lá voltar sem ela, lol...
Quanto à foto que utilizou para completar o texto sobre o bodo, claro que não levo a mal. Tirei imensas na Páscoa. Tinha até na ideia fazer um “slide show” com as mesmas, para postar no blog, mas não tive tempo; tal como as fotos que tirei agora nas férias... O tempo não chega para tudo...
Por isso esteja descansado que não levei a mal. Aliás, quem poderá levar a mal é uma tia minha que aparece naquela foto, e não sabe que eu a coloquei na net, lol... Mas também está de óculos escuros, por isso ninguém a deve conhecer, lol... Como o João disse: “foi por uma boa causa”, lol.
Fico então a aguardar que a Susana poste o texto sobre o Bodo de Salvaterra. Aliás, um facto que não mencionei no blog, mas que aconteceu na passada Páscoa, foi o lançamento do livro “A festa de N. Sra. Da Consolação”, do Sr cónego Bonifácio Bernardo.
Tive a honra de estar presente e ouvir o que ele disse. Um homem muito simples, também ele filho daquela terra, que acabou por ter o imenso trabalho de pesquisar e reunir documentos, para escrever também ele a História do bodo de Salvaterra. E ainda bem que há quem se dedique a pesquisar, a divulgar, e principalmente a deixar como herança para os nossos filhos, um pouco da História daquela vila.
Fique bem, amigo João!
Boas férias, bom descanso e boas escritas.
Até sempre!
Cristina

10 comentários:

Susana disse...

Olá a ambos! Esta postagem, em formato de carta aberta está um espanto!

Cristina: tens razão quando dizes que é preciso estar no terreno para descobrir verdadeiros tesouros escondidos. Quando visito as aldeias, faço questão de ir várias vezes, pois há sempre alguma coisa que escapa no primeiro olhar. É preciso ir, apreciar, parar para sentir e imaginar como terá sido aquele lugar noutros tempos. Quando faço isso parece magia e quase ouço os guerreiros a lutar no alto do castelo...

Fiquei curiosa com esses cemitério romano... é mesmo? Já vi muitas aras romanas...agora cemitério nunca...quando marcarmos um encontro, tens que mostrar esse lugar, combinado?

Agora que regressei de férias, irei ,com todo gosto postar o texto que o João enviou.

Uma boa semana para os dois!

Abraço, Susana

Cristina disse...

Olá Susana,
Sim, é verdade a existência do cemitério. Eu tenho uma ou duas fotos que tirei só da parte de fora, claro, depois procuro-as e posto-as para veres.
Fica então combinado: se um dia nos encontrarmos em Salvaterra, mostrar-te-ei o cemitério.
Vou ter é de ouvir minha mãe. Já estou mesmo a vê-la: “tu não tens vergonha filha? Então vem uma amiga tua conhecer a terra e vais levá-la para o cemitério?” lol…
Beijinhos,
Cristina

(Carlos Soares) disse...

Amiga. Obrigado pela visita e peço que ovlte sempre.Será um prazer. Que título bonito de seu blog.Já me cheira à poesia.Beijos

Susana disse...

Olá Cristina:

Diz à tua mãe para não se preocupar. Já estou habituada a vasculhar esse tipo de coisas... já que sou dada a História.

Já agora, tens tido notícias do João? Ele ainda não passou pela aldeia, para ler os comentários bem divertidos , a propósito do texto dele.

Quando o vires, dizes que estou à procura dele...

Votos de bom fim de semana!
Susana

Susana disse...

Olá mais uma vez Cristina!

Olha hoje (dia 31 de Agosto) é Day blog e para comemorar estou a indicar 5 blogues, dos quais estou a destacar o teu, na Aldeia da minha vida!

Bjs Susana

Pascoalita disse...

Olá :)*

Não sei bem como, mas sem merececimento, vi-me inserida num grupo de 5 Blogues que constituiram uma escolha duma Amiga comum, a menina Susana e, como não podia deixar de ser, impunha-se uma visita aqui.

Bem, confesso que pelo menos já deu para me rir e ainda não tive tempo sequer de chegar a meio do post. Tentarei faze-lo mais logo, ok?

Quer dizer que isto era suposto ser um comentário? ahahah
E a menina Cristina achou estranho que não fosse aceite? Claro! Um texto destes ia ficar assim meio escondido? Ora essa!

Pois aproveito para dizer que estou inteiramente de acordo com o sistema. Material tem sempre razão!
Mais logo, se não for abuso da minha parte, voltarei para ler o texto como merece e rir mais um pouco. Posso?

Até lá, um beijo da
pascoalita

Anónimo disse...

Olá, Cristina!
Muito me conta!
Porém, sem querer ser desmancha-prazeres, parece-me que está a ser atraiçoada pela tradição oral. A voz do povo é a voz de Deus mas, por vezes este estará de folga e o povo ultrapassa a realidade e entra na ficção. Acontece que o Cemitério Velho e a Capela de S. Pedro, aí existente, não devem ter nada a ver com romanos. Os romanos andaram por ali mas, deve ter sido de passagem. A via Braga-Mérida passava por Salvaterra (o termo, que não a povoação), e por Segura ia a Alcântara e daí a Mérida. Há um resto de calçada, provavelmente haveria perfurações mineiras (ouro e chumbo) e, sempre, águas termais (junto ao Erges, mas não estas em Monfortinho). A região não devia ser povoada. Isso talvez só acontecesse junto a Idanha-a-Velha. O Cemitério Novo foi construído em 1895, e o Calvário (as 3 cruzes) que se encontra no largo, à sua entrada, foi transferido de junto da capela de Santo António, onde dava nome a essa rua (Rua das Cruzes).
Do Cemitério Velho só me recordo de jogar à bola, defronte, e alguém a ir buscar lá dentro. Eu não ia porque tinha muitas silvas e talvez cobras e lagartos! Lembro-me é dos figos de “pita” no muro da horta defronte (horta do Mourão) e dos problemas intestinais que criavam! Dentro do cemitério parece existirem duas ou três sepulturas, uma das quais de João Pinheiro (ver o livro do Pde. Bonifácio). Muito mais coisas haverá a descobrir sobre Salvaterra e tentar esclarecer alguns mitos! Porém, como é sabido, o povo também vive muito de lendas!
Mas, continue a pesquisar sempre, pois o passado ajuda-nos a viver o presente e a pensar o futuro! Esta foi boa, hein!
Não acredite em tudo que ouve ou lê, eu incluído!!!
Até sempre, felicidades e boa saúde.

PS: Não me vou alongar mais porque estou de abalada.Prometo voltar ao assunto.

João Celorico

Susana disse...

Olá Cristina, de novo!
Já sairam os resultados da blogagem de Agosto Queria fazer uma surpresa para o joão e gostava que me ajudasses. Vai lá ver o que é. Bjs Susana

Helena Teixeira disse...

Olá,Cristina!
Sou a Lena,novo membro do Aldeia.Vejo que tem andado desaparecida ou é impressão minha?
Faça-nos lá uma visita ao blog da Aldeia e se quiser também ao Clube das Mulheres Beiras.É giro,irá gostar,penso eu.
Jocas gordas
Lena

João Celorico disse...

Olá Cristina!
Espero, sinceramente, que a sua ausência não se deva a nada de mais grave que a simples falta de tempo. Do mesmo mal me queixo eu que só agora por aqui passei.
Como eu referi, voltarei ao assunto do meu último comentário. De momento não dá. Prometo!
Entretanto reafirmo os meus votos de que esteja tudo bem consigo. Saúde da melhor e até breve!
João Celorico