segunda-feira, 7 de junho de 2010

Se ao menos eu pudesse...

Ai, se eu pudesse…
Trocaria num ápice a cidade pelo campo…
Trocaria a correria e a vida agitada, pela paz e pelo sossego…
Trocaria o ar poluído, pela inalação do ar puro e vivificante da intocada natureza…
Trocaria o barulho dos automóveis, pelo alegre chilrear de tanta espécie diferente de aves…
Trocaria o ar sisudo das pessoas, por um largo e sincero sorriso dos habitantes da vila…
Trocaria a desumanização das gentes da cidade, pela solidariedade e amabilidade dos Salvaterrenhos…
Trocaria o liso passeio, pelo piso incerto da calçada romana…
Trocaria a água engarrafada pela pureza da água da Fonte da Ribeira…
Trocaria a praia super lotada, pela margem do rio Erges…
Trocaria o vislumbrar de tanto edifício de betão, pelos montes e vales a perder de vista… Trocaria o pão cheio de conservantes, pelo apetitoso pão tradicional…
Trocaria a ida segura a uma frutaria, pelo apanhar e picar das amoras…
Trocaria os legumes e frutas sem sabor, que se estragam em poucos dias, pelo doce e saudável sabor de uma fruta apanhada de colher…
Trocaria o perigo para uma criança, de brincar nas ruas, pela liberdade de brincar pelos campos… Trocaria as noites a ver televisão, pelas noites a ver as estrelas…
Trocaria o relógio, pelo sino a cantar as horas na Torre do Relógio…
Trocaria o despertar assustado ao som do ruidoso despertador, pelo despertar ao som do cantar de um galo…
Trocaria o Sol a nascer escondido atrás de um prédio, pela beleza de se ir mostrando no horizonte…
Trocaria a falta de tempo, pelo tempo que no campo dá para tudo…
Assim é a vila de minha vida… Tudo isto e muito mais…
Trocaria minha vida na cidade, pela vida em Salvaterra…
Ai, se ao menos eu pudesse…

12 comentários:

João Celorico disse...

Olá, Cristina!
Resta-nos ir sempre lembrando Salvaterra e com isso ganharmos prémios!Lol!
Talvez isso também nos permita sentirmo-nos mais arreigados a ela. Em tudo o mais, cá iremos vivendo, o melhor possível!
Espero que o Concurso Literário de Almada lhe proporcione igual alegria. Quem sabe?
Faço minhas as palavras que me dirigiu para me convencer a entrar nas blogagens. Como vê estou "imparável" e, agora, com a sua agradável companhia. Lá os obrigamos a falar de Salvaterra!

Um abraço de parabéns e tudo de bom,
João Celorico

Cristina disse...

Pois que Salvaterra fique nas bocas do Mundo! É isso que se quer.
Desde que por bons motivos, que falem, e a nós que nos importa? Acho que até havia uma música antiga, qualquer assim, lol. Tenho uma vaga lembrança…
Quanto ao concurso literário de Almada… bem, não houve tempo para tanta coisa. Ainda por cima Maio foi um mês de maior dedicação ao estudo, com tanta prova de avaliação de meu filho…
E também soube muito em cima do prazo. Quem sabe outro concurso, outra altura, com mais tempo…
Um abraço!

João Celorico disse...

Comentário longo, vai ser este!

Olá, Cristina!
Vamos lá "coscuvilhar"!
Está tudo explicado! Tenho andado com as orelhas a arder e agora percebo porquê. Eu, que gosto de passar despercebido, já não posso ir à minha terra, descansado! Vou ser apontado a dedo. E, sorte tenho eu, de ser nos tempos que correm, em que Salvaterra está quase deserta. Quando eu era miúdo até brincava com o facto. Quando chegávamos a Salvaterra, logo ao sair do adro, entrávamos na rua da Corredoura e primeiro que chegássemos à Quélhinha, era o cabo dos trabalhos. “Olha lá, parente, de quem és tu filho?”, “O que é que tu fazes lá em Lisboa”, “O meu filho também lá está. Nunca o viste?”, “Quanto é que ganhas?”! Isto era apenas uma parte do inquérito a que éramos submetidos, de porta em porta. Quando chegávamos a casa, já toda a Salvaterra estava informada da vida daquele visitante!
Na despedida, o fadário era outro. Tinha que ser feita quase em segredo. Até altas horas da noite batia gente à porta para que lhe levássemos um embrulhinho (por vezes era um embrulhão) para o seu filho ou filha. E não se podia dizer que não. Da primeira vez trouxemos, entre cestos, embrulhos e caixas, 32 unidades. No comboio era uma festa! E o pior é que muitas das vezes os filhos ou filhas não iam buscar as encomendas e lá tínhamos nós que nos deslocar a suas excelências. Outros, tempos!
Mas agora, até já sou uma pessoa importante. Sou o mesmo que, se for ao meu blogue, no mês de Março, lá está, sem nada na manga e no resto e bem esclarecidas as minhas origens. Faltará talvez dizer que, da parte materna, as minhas bisavós eram Catarina Rascôa e Maria Moreira (os bisavôs talvez consiga, com um pouco mais de jeito). Do lado paterno, só vou até à minha avó, Maria Amélia, natural de Monsanto e meu avô, Joaquim Celorico que, por aquilo que consigo apurar, (ou melhor, não consigo apurar), também não deve ter origem em Salvaterra. Talvez no Rosmaninhal, sei lá! As minhas primas, são filhas do irmão do meu pai, o meu tio Francisco Celorico (vulgo Tchico “Bailadas”, alcunha que lhes ficou do pai). “Panelas” vem-lhes da parte materna. Normalmente, as filhas tomavam as alcunhas das mães e os filhos, dos pais, ou então aquela que fosse dominante. No meu caso seria a materna.
No meio disto tudo (que saudades!) já não está entre nós quem poria isto tudo em pratos limpos e lhe faria a árvore genealógica em menos dum dia para o outro.
E, pronto, isto é que foi “coscuvilhice”!

Abraço e tudo de bom,
João Celorico

Cristina disse...

Olá amigo João,
Espero que não me tenha levado a mal esta “intromissão” na sua vida familiar, mas apenas relatei os factos tal como aconteceram e apenas achei piada ao facto deste mundo ser mesmo pequeno.
Acredite que se há coisa que detesto é a coscuvilhice. Realmente ao reler meu texto, até pode parecer que compactuei com a coscuvilhice das duas irmãs, mas não tive essa intenção.
Lembra-se quando nos conhecemos no dia do bodo? Quando o João perguntou se eu não o conhecia? Lembra-se de eu ter respondido que não? Mas como me conhecia a mim, lembra-se de eu lhe ter dito que não estava a ver quem era, mas que perguntaria a meu pai e ele me diria que parentesco tínhamos… ?
Isto porque eu na terra sou uma desgraça para memorizar caras. Todos me parecem conhecer, mas muitas vezes eu nem sei quem são. Tantos são os primos afastados que tenho, em vários graus… Pois é, descendo de gente que teve muitos filhos, daí ter eu agora muitos primos directos e afastados e não conseguir memorizá-los a todos, já que só os vejo assim, de tempos a tempos…
Daí, desde que travámos amizade, convenci-me que também pudesse ser meu parente afastado. Sabe que no dia do bodo, minha mãe que já sabia que nos conhecíamos por internet teve pena de não o ter conhecido também? Desde aí que ela tem curiosidade em saber quem é, pois pelo nome João Celorico ela não ia lá. Na terra sempre se trataram por alcunhas passadas de pais para filhos, tal como sabe. Pois minha mãe tinha essa curiosidade de saber quem era: podia ser parente, podia ser um amigo de infância, podia ser família de bons amigos vizinhos que tiveram…
Existe uma grande diferença entre as duas irmãs: minha tia vive para a coscuvilhice, minha mãe, adora rever ou reencontrar as pessoas que fizeram parte de seu passado, quando vivia na terra…
Nunca tive intenção de coscuvilhar a sua vida, e peço desculpa se falei demais a elas, sobre o pouco que sabia de si.
Quanto aos nomes de que me fala, nada me dizem, porque não sou eu que sou filha da terra. Eu já vim nascer à capital, indo só à terra nos Verões e poucos Natais em que meus avós eram vivos.
Quanto a ser vítima de coscuvilhice na terra, sei bem do que fala. Lembro-me bem que eram ainda meus avós vivos, quando fomos lá uma vez. Era eu ainda criança.
Um dia fui fazer um recado a minha avó ao supermercado da aldeia. A senhora que me atendeu, com a curiosidade natural daquelas gentes, perguntou-me então:
- Olha lá linda, de quem és tu filha?
E eu muito naturalmente disse o primeiro e último nome de minha mãe.
Ela para não dar parte de fraca, só respondeu: "-Ah!" (como se tivesse ficado elucidada, lol).
Quando cheguei a casa perguntaram-me logo se a senhora me tinha feito muitas perguntas (afinal elas já a conheciam bem).
E eu contei o que ela me tinha perguntado e o que eu tinha respondido. Desataram à gargalhada e eu sem perceber porquê.
Minha mãe explicou-me então: "olha, quando alguém te voltar a perguntar de quem és filha, deves dizer: da Catarina Torroa e do Tó Espanhol. E foi neste dia que eu aprendi que, afinal ali, as alcunhas são muito mais importantes que os nomes com que foram baptizados...
Quem sabe minha mãe voltará a ter a hipótese de o conhecer um dia, e falar-lhe de alguns dos seus parentes, pois não duvido que os tivesse conhecido.
Acredite, será um prazer para ela e não uma coscuvilhice.
Aliás, eu própria lhe mostrarei este seu texto e vai ver que ela conheceu alguém de certeza... Depois lhe darei notícias.
Um abraço e tudo de bom para si também.

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Desejo de todos nós ter uma melhor qualidade de vida,sem correria, sem agrotóxicos, buzinas e um sem fim de males da modernidade. Beijos

João Celorico disse...

Olá, Cristina!
Vamos lá a esclarecer isto! Eu não fico nada aborrecido com a sua chamada "intromissão". Já disse, algures, que aos amigos se permite tudo. O pior são os outros, esses levam tudo a sério!
Como lhe disse, no meu blogue já está quase tudo o que uma pessoa de Salvaterra, ou salvaterrenha de sangue, deseje saber. Porém se quiser saber mais alguma coisa, não há que temer. Aqui não se esconde nada!
A "coscuvilhice" de Salvaterra só prova que as pessoas gostam de saber o que se passa com os conterrâneos e não gostam de o saber por terceiras pessoas, geralmente mal informadas ou que deformam a informação. Assim as perguntas são sempre directas e a informação é fidedigna.
Duvido que a mãe da Cristina, ou a sua tia, consiga saber algo com os nomes que aqui deixei. Os seus pais serão mais da minha geração e das minhas primas. Talvez tenham conhecido a minha avó Maria Amélia, que morava no Castelo. Por Celorico, talvez se lembrem da ti'Celorica e filhos que eram primos do meu pai.
Claro que acredito que estes nomes, e outros, lhe darão voltas à cabeça porque são pessoas que já nos deixaram há muito e agora só há um rasto aqui e outro ali.
Por agora é tudo,
Abraço e tudo de bom,
João Celorico

Anónimo disse...

Bem!!!que grande coscuvilhice mesmo...mas é assim que as boas amizades se cultivam,e felizes daqueles que as sabem manter.Um abraço e um bom 10 de Junho.Falando em Camões...
um Soneto
“Verdade, Amor, Razão e Merecimento”
"Verdade, Amor, Razão, Merecimento,
qualquer alma farão segura e forte;
porém, Fortuna, Caso, Tempo e Sorte,
têm do confuso mundo o regimento.
Efeitos mil revolve o pensamento
e não sabe a que causa se reporte;
mas sabe que o que é mais que vida e morte,
que não o alcança humano entendimento.
Doctos varões darão razões subidas,
mas são experiências mais provadas,
e por isso é melhor ter muito visto.
Cousas há i que passam sem ser cridas
e cousas cridas há sem ser passadas,
mas o melhor de tudo é crer em Cristo."
Ana Bernardo

Anónimo disse...

No dia treze de Junho
Santo António se demove
São João a vinte e quatro
E São Pedro a vinte e nove.

Santo António não é pobre
Santo António não é rico
Já o vi vender um cravo
P'ra comprar um manjerico.

O repuxo da cascata
Deita água sem parar
É noite de S. João
Vamos cantar e dançar.

S. Pedro por ser velhinho
Deve ter muito juízo
Por isso Deus lhe entregou
As chaves do Paraíso

Amiga umas quadras dos santos populares; éclaro que não fui eu que as fiz

Susana disse...

Cristina:

Cada vez mais é um privilégio poder viver na nossa terra. Acredito que gostarias de lá estar para desfrutar cada minuto da tua vida, quem sabe um dia se proporocione, pois querer também é poder!

Espero que gostes o nosso livro, acabadinho de ser enviado para ti.

Bjs Susana

PS: Ainda não me esqueci da promessa do ano passado: um encontro no festival da melancia. Este ano é em Agosto. Conto contigo lá no Ladoeiro!

Helena Teixeira disse...

Olá Cristina!
Adorei ler o seu texto.Tanto a menina como o amigo João, sabem realçar a alma da vossa amada terra :)

Mas diga-me, aposto que está a ler o livro.Espero que tenha gostado.

Entretanto,já tenho + 1 desafio para si:
Convite: participe na Blogagem de Julho do blog aldeiadaminhavida. O tema é: “A Fruta da minha Região”. Vale tudo: texto, foto, imagens, vídeos, receitas, cartazes… dê asas à sua imaginação, enviando a sua participação para aminhaldeia@sapo.pt até dia 8 (de preferência). Esta semana, sairá 1 post com mais informação.

Jocas gordas
Lena

Cristina disse...

Olá Susana,
Sim, gostei imenso do livro. Quando for de férias vou levá-lo comigo para Salvaterra, para poder dar uns belos passeios por algumas dessas aldeias históricas.
É sempre diferente ter um livro como guia, do que ir a uma aldeia e nada saber dela, nem de sua Historia, cultura, tradições, etc…
Idanha-a-Velha e Monsanto já conhecia. Mas quando lá voltar, ficarei a conhecer melhor.
É um excelente guia, sem dúvida.
Deixo-vos uma sugestão: porque existem muitas aldeias espalhadas pelo nosso país, também elas lindas e cheias de Historia e outras culturas e tradições, porque não fazer agora um livro que fale delas? Claro que aqui já estou a meter uma “cunha” para falarem de Salvaterra do Extremo, lol…
Como são muitas as aldeias, faziam vários livros, assim tipo uma colecção: um livro das aldeias da Beira Baixa, outro da Beira Alta, enfim, de todas as regiões do nosso país. Quem conhece o Norte, talvez não conheça o Sul, e vice-versa, e assim com um guia é bastante diferente visitar uma aldeia desconhecida.
Adorei o livro e recomendo a sua compra, a quem gosta de visitar lugares e levar consigo um guia que não fala, mas que se lê e entende perfeitamente…
Fico então à espera dos próximos volumes, lol…
Beijinhos e continuação de bom trabalho.

P.S.: quanto ao festival da melancia, nessa altura não estarei de férias, mas vou ver em que dias calha, quem sabe num fim-de-semana…

Cristina disse...

Olá Helena,
Sim, adorei o livro e já deixei à Susana a minha sugestão para os próximos volumes…
Quanto à próxima blogagem, vocês não dão descanso a uma pessoa, lol… E desta vez “vale tudo”… Ok, vou tentar participar.
Beijinhos e continuação de bom trabalho.