segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tenho saudades...

Tenho saudades da minha aldeia, que é também meu refúgio.
Tenho saudades do rio que corre sem parar, como se tivesse pressa para no mar desaguar…
Tenho saudades do vento que feliz percorre montes e vales. Invejo até a sua liberdade; nada o detém, nada o prende e pode ir para lá do horizonte…
Tenho saudades da brisa fresca da manhã, e da brisa calorenta da tarde.
Tenho saudades das noites de luar, em que o céu não pára de brilhar, e o Universo não pára de nos espantar.
Tenho saudades das estrelas-cadentes que velozes deslizam no céu nocturno.
Tenho saudades do chilrear desenfreado dos pássaros, nesta altura da Primavera.
Tenho saudades das cegonhas no campanário.
Tenho saudades das flores que despertam depois do longo Inverno, e deixam no ar o seu suave perfume.
Tenho saudades das ruas, das casas de xisto, dos passeios romanos ancestrais. Do cruzeiro à volta da estrada, do pelourinho imponente e vaidoso, da igreja mais bela de Portugal.
Tenho saudades dos passeios a pé e das paisagens maravilhosas.
Tenho saudades do ar puro e das faces rosadas que só o campo nos faz.
Tenho saudades da paz que aí sinto. Do sossego e do silêncio que me envolve.
Aqui sempre encontro a tranquilidade necessária para restabelecer forças físicas e mentais. Aqui sempre encontro a esperança que pareço já ter perdido, e a coragem para continuar.
Tenho saudades, simplesmente, de mais uma vez lá voltar…

3 comentários:

Cunha Ribeiro disse...

Lindo!

Anónimo disse...

E eu tenho saudades de ter saudades,apesar de quase aí não ter vivido!
Lindas as fotos e essa ideia de dominar a ribeira!
Felicidades e boa saúde para ir tendo saudades...
João Celorico

Cristina disse...

Caro João,
Obrigada pela visita e pelo comentário.
A minha ideia na foto não era de dominar a ribeira, lol, pois essa, bem como a paisagem à volta, espero que nunca sejam “dominadas”. Já basta a alteração que fizeram nela com a construção da praia fluvial. Eu estava mesmo era a apoiar-me, de tão cansada que estava, de tão longa caminhada. Mas para baixo até se foi bem, o pior foi quando tive de subir a encosta, lol… Mas vale bem a pena o cansaço e a dor nas pernas ao fim do dia. É recompensante todas as paisagens por que passamos, o ar puro que inalamos, e a comunhão com a natureza envolvente.
Quanto às saudades que sentia, “matei-as” na Páscoa passada. Mas admito, já lá voltava outra vez…
Uma vida feliz para si João, com muita saúde, paz, amor e tudo aquilo que mais desejar.
Felicidades e volte sempre!
Cristina.