terça-feira, 28 de abril de 2009

Por onde passou a brisa nesta Páscoa...

12 comentários:

Anónimo disse...

Olá Cristina!
Valham-nos estes "slides" para regalar a vista e mitigar a saudade!
Bem-haja,
João Celorico

Sandra disse...

Que fotos lindas!!
É um deleite para os olhos...

Jokas e bom fim-de-semana!
Sandra C.

Cristina disse...

Caro João,

Quem sente saudade, tem aí a maior prova de que o passado valeu a pena.
Saudade da vida que nunca mais se vai ter...
Saudade daqueles que nunca mais voltaremos a ver...
Saudade do tempo em que se era feliz sem saber!

E porque saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar, porque não volta à sua terra um dia?
Nem que seja só por um dia, com certeza esse dia, esse regresso valerá a pena, e minimizará a sua saudade...

Tenha uma vida feliz, onde sempre haja lugar para matar qualquer saudade...

Cristina disse...

Obrigada Sandra,
mas não são as fotos que são lindas, é mesmo todo o local, todos os caminhos,todas as paisagens e toda a vila.
Sim amigos, Salvaterra deixou de ser aldeia e foi promovida a vila. Só soube esta Páscoa quando lá voltei e vi o anúncio: "Bem-vindos à vila de Salvaterra do Extremo"...
Já não é uma "aldeia perdida por entre montes", mas uma vila que aos poucos está a ser recuperada e achada pelos turistas...

Anónimo disse...

Olá Cristina!
Bom dia! A nossa "aldeia" nunca deixou de ser vila! O pelourinho nunca foi retirado! E já faz, exactamente hoje, 2 de Maio, 780 anos!!! Pois é, esta vila velhinha não pôde ser mãe extremosa, por isso entregou (mas não deu) muitos dos seus filhos para adopção, nunca os esquecendo e eles, que também nunca a esqueceram, todos os anos a visitam levando-lhe os seus filhos e netos para lhe darem e receber carinho!
Já agora, o que seria desta terra se o ramal ferroviário de Salvaterra, qual TGV, aprovado nas Cortes em Junho de 1910, tivesse sido construído? Para bem ou para mal,a República não deixou e hoje Salvaterra é o que é, orgulhosa de si e dos seus!
Felicidades para si e um bom fim de semana.
João Celorico

Cristina disse...

Caro João,
Tem toda a razão quando diz que Salvaterra sempre foi vila. Foi realmente um lapso da minha parte; ou talvez não, pois o povo sempre teve tendência a tratar Salvaterra por aldeia. Sempre ouvi meus avós e outras pessoas, referirem-se a Salvaterra como aldeia e não vila. Talvez seja por essa razão, que foi agora colocado um anúncio à entrada da terra, dando as boas-vindas a quem chega à vila de Salvaterra. Talvez mesmo para relembrar a todos que Salvaterra nunca deixou de ser vila.
De facto, segundo a obra “Monografia de Salvaterra do Extremo”, quando D. Diniz resolve dar o 1º foral a Salvaterra em 1310, já esta era vila (página 21), e uma vila bastante importante para o rei como demonstra a seguinte descrição:

“ Os privilégios e isenções nele concedidos (no foral) são um testemunho de honra e glória para a nobre Vila de Salvaterra do Extremo que pela sua situação topográfica, teve em tempos idos considerável valor militar e defensivo, fazendo-se dos seus habitantes briosos e nobres cavaleiros, defensores aguerridos da pátria portuguesa como lusitanos de alto valor e apreço perante o Rei que tão bem os soube distinguir. E assim é que se considera à Vila neste foral privilégios e isenções que a colocam num ponto de destaque assaz glorioso para os seus filhos, tanto passados como presentes e futuros.
Enquanto existir a sua situação topográfica que só um grande cataclismo poderá desfazer há-de existir sempre o seu valor militar e defensivo que o tempo não destrói, embora caída por ignorância ou imprevidência no esquecimento do que foi e do que poderá vir ainda a ser com o correr dos tempos…”

O pelourinho “padrão de glória das vilas” apareceu mais tarde já no reinado de D. Manuel I, e passou a ser o nobre símbolo de uma vila orgulhosa do seu passado.

Quanto ao ramal ferroviário de Salvaterra, caso tivesse sido construído, quem sabe, hoje, Salvaterra talvez fosse uma cidade?
Ainda me lembro bem das viagens que fazíamos de comboio até Castelo Branco, e depois íamos o resto do caminho de autocarro. No tempo em que não havia dinheiro para comprar um automóvel, era assim que viajávamos. E como adorava estas viagens de comboio, onde ia quase sempre em pé à janela, apreciando cada paisagem e cada terra por onde passava. Esse privilégio já não o tem meu filho, por exemplo, que tem de se contentar com a viagem e paisagem monótona de uma auto-estrada.
Mas por acaso, gostava de um dia o levar de comboio, pois sei que ia adorar. Quem sabe um dia!...
Como alguém disse: na vida o que interessa não é chegar rápido, é ir devagarinho, apreciando a paisagem.
Uma boa semana!

Anónimo disse...

Olá Cristina!
Não vou entrar em discussões académicas mas vou tentar corrigir alguns factos.
1) D. Diniz não quis dar o 1º foral a Salvaterra, o que ele quis foi saber porque é que o dinheirinho que o avô D. Sancho II lhe tinha deixado (leia-se impostos)estava a entrar nos bolsos dos Templários. Depois de provar os seus direitos (da coroa), tratou de correr com os Templários, criou a Ordem de Cristo e confirmou (isso sim) o foral dado em 1229.
2)O pelourinho é realmente obra do D. Manuel I e é devido ao foral que este rei lhe deu (era o 2º foral, uma espécie de revisão da Constituição). Pode ir-se preparando para a comemoração dos 500 anos, no dia 1 de Junho de 2010 (se a memória não me atraiçoa).
3)Bonita a descrição da viagem mas incompleta, talvez por desconhecimento ou porque a alegria da viagem à terra era tanta que se esqueceram os pormenores menos bons.
Saída de Lisboa(ainda Rossio) às 07.20h, regalando a vista e do Tejo apreciando as margens de xisto, passando a ponte do "corta cabeças", chegada a Castelo Branco (calor abrasador) e uma espera de + ou - 2 horas. Saída às 3h da tarde, camioneta (estilo "ronceiro") a abarrotar e no tejadilho "alto caramouço", empilhavam-se cestos e cestinhos. Ele eram as curvas da "Munheca", mas lá íamos, "cantando e rindo", até ao "leque". Aqui é que era o bom e o bonito, alguns, mais avisados, saíam e esperavam que a camioneta fosse a Segura e voltasse. Dos outros, coitados! Calor, janelas abertas entrava todo o pó, que a estrada era de terra, se fechavam as janelas o pó ia entrando na mesma e não saía, pior um pouco. Valia que já se via Salvaterra e quando a camioneta chegava ao Vale das Eiras já o pessoal, na "volta da estrada", via o pó que ao longe se ia levantando e levava a boa nova até ao adro, onde a recepção estava preparada.
E era o que nos valia! Eram 19.00h, cobertos de pó, enfarinhados qual padeiros ali recebíamos os abraços e beijinhos dos familiares e não só, que tudo perguntavam e não nos deixavam chegar a casa tão depressa. Lavar-nos e um "gaspacho" era o que nós queríamos!Já estávamos em Salvaterra!
Penso que já não terá passado esta fase. Ainda bem! Sinal do progresso!
Perdoe-me o alongar do comentário mas, quando se trata de falar de Salvaterra, eu fico assim!
Felicidades e tudo de bom.
João Celorico

Cristina disse...

Caro João,
Muito tenho a aprender consigo. Aliás seu comentário vem enriquecer mais este blog, ainda pobrezinho.
Obrigada!
Vejo que viveu Salvaterra ainda com mais intensidade que eu. Talvez por lá ter vivido, não sei. Eu nunca lá vivi, mas fui lá muitas vezes, pois tinha lá família.
Quanto às ditas viagens, era uma criança. Lembro-me bem de algumas coisas que descreve,dos cestos com o farnel e de ir quase todo o tempo à janela, admirando as paisagens. Agora da estrada ainda em terra, não me lembro mesmo.Talvez até tenha passado nela, mas tal como diz: a alegria da viagem era tanta, que só ficou na memória, os melhores momentos.
E comi gaspacho muitas vezes. Aliás ainda hoje, no Verão, sabe bem um gaspacho fresquinho...
Tudo de bom também para si.
Bem haja!

P.S.: quanto ao alongar do comentário, não se preocupe com isso, pois este espaço também é seu, bem como de todos aqueles que o visitam, e podem nele expressar livremente as suas ideias, ou até corrigir-me, pois sou modesta o suficiente para dizer abertamente que muito tenho ainda a aprender...
Obrigada e volte sempre!

Anónimo disse...

Apesar da foto estar um pouco desfocada, gostei do teu bonito sorriso. Parece espontâneo, mas como não te conheço, é como se costuma dizer: quem vê caras não vê corações.
O sorriso é o idioma do amor universal, até as crianças compreendem.
Sorrir abre caminhos, desarma os mal-humorados, transmite boa energia.
Mas sorria com a alma, não apenas com os lábios. Aqueles que não sorriem verdadeiramente, não vivem verdadeiramente.
Um beijo e uma vida feliz.
Rafael A.

Anónimo disse...

Olá Cristina!
Abriu-me a porta e agora tem de me aturar. Apesar de correr o risco de estar a ser aborrecido, aqui envio estas memórias mais ou menos em verso.

VIAGEM A SALVATERRA

Embrulhos e mala, de cartão,
(era o que estava na berra),
metemos dentro o coração
e vamos direitos a Salvaterra.

Na estação do Rossio,
entrámos para a carruagem.
Dos meus pais e meu tio
beijinhos e boa viagem!

O comboio lá partiu,
resfolgando, a vapor,
e até o Sol p'ra nós se riu.
O dia ia ser de calor!

Olha! Como é lindo o Tejo!
Além o campo! Além a serra!
Cumpria-se o meu desejo
a caminho de Salvaterra!

O comboio, a correr,
pouca terra, pouca terra,
parecia querer dizer,
Salvaterra, Salvaterra!

As terras p'ra trás ficando
pouca terra, pouca terra,
e nós, por dentro, pensando,
Salvaterra, Salvaterra!

Parámos no Entroncamento,
pouca terra, pouca terra,
e lá estava o pensamento,
Salvaterra, Salvaterra!

O Tejo e as margens, de xisto,
pouca terra, pouca terra,
que de espanto eu não resisto,
Salvaterra, Salvaterra!

Até a água fresca, em Belver,
pouca terra, pouca terra,
parecia continuar a dizer,
Salvaterra, Salvaterra!

Bilhas de barro, de Nisa,
pouca terra, pouca terra,
e nós, já em camisa,
Salvaterra, Salvaterra!

Castelo Branco! A paragem!
O primeiro acto encerra!
Já está metade da viagem!
Salvaterra, Salvaterra!

Mais de 2 horas de espera,
ao calor, feito um pateta.
Não havia sombra. Pudera!
Até aparecer a camioneta.

Na camioneta, modelo antigo,
pachorrenta, bem ronceira,
sinto já o calor amigo
das gentes, como eu, da Beira!

Parámos na Idanha (não a Velha)
e seguimos à Senhora da Graça,
que Boa Viagem aconselha
a todo o que por lá passa.

O calor continuava
e a camioneta, ronceira,
embalando nos levava
a caminho da Zebreira.

Ao "leque" chegados
antes de a Segura ir,
aqueles, os mais avisados,
resolvem ali sair.

E a camioneta, estilo ronceiro,
de modelo tão peculiar,
transforma tudo em padeiro,
sem farinha para amassar!

Mas já nada nos fazia "mossa",
tal a ânsia de chegar à terra,
porque até mesmo de carroça,
nós íamos a Salvaterra!

Uma vez ao adro chegados,
não sentimos mais calor.
Agora, à família abraçados,
sentimos sim, só Amor!

E pelo que sinto, cá no fundo,
já que estou na minha terra,
vou gritar a todo o Mundo,
Salvaterra, Salvaterra!


Espero não ter sido maçador e não desmerecer este blog.
Felicidades e um bom fim de semana!

João Celorico

Cristina disse...

Olá João,
sim “abri-lhe a porta” e pode entrar as vezes que quiser.
Quanto a ter de o aturar, não tenho de que me queixar, pois foi um prazer ler estes seus versos, em que tão bem descreve como era feita a viagem, quando ainda não existia a auto-estrada, nem autocarros de turismo, lol…
E apesar de não haver as comodidades de hoje em dia, sem duvida nenhuma, existia muito mais alegria. Alegria, principalmente por saber que no final de tão cansativa viagem estariam à nossa espera, nossos entes queridos, dos quais, muitos já não se encontram entre nós.
No entanto, para sempre ficarão guardados na nossa memória e no nosso coração, não é verdade?
Pois amigo João (penso que o posso tratar assim, depois do trabalho que teve para escrever estes versos), só há uma coisa com a qual não concordo: que esta bela descrição fique aqui escondida neste cantinho… Se me permite, irei colocá-la na frente do blog, com o nome do autor, claro. Fico à espera da sua autorização para tal.
E já agora deixo-lhe uma sugestão: porque não envia o que escreveu para o jornal “Raiano”? Daria um bom artigo, pois com certeza muitos gostariam de reviver as viagens que também eles faziam…
Não deixe nunca de escrever, pois escrever, muitas vezes é aliviar o coração e reviver momentos passados, para sempre em nós guardados…
Um muito obrigada por estes versos.
Bem haja!

Anónimo disse...

Olá Cristina!
Ainda estou a digerir as palavras elogiosas que me dirigiu. Pois bem, fez-me bem ao "ego" que é um bicho que devemos alimentar mas com cuidado, não vá ele comer-nos! Claro que me pode tratar por amigo. Mal seria que não pudesse, e tem a minha total permissão para dar maior visibilidade às quadras que fiz pois elas, como se pode ver, são de um anónimo mas identificado. Eu é que agradeço tanta gentileza!
Quanto a contactar o "Raiano", é um caso a ponderar mas o facto é que ainda não consegui encontrar em nenhum lado o endereço, telefone ou mail.
Não quero terminar, porém, sem deixar aqui uns versos da autoria de Francisco Ataíde, vulgo Francisco Sena Belo ou "Chico Sanabelo" no linguajar do povo de Salvaterra, infelizmente já falecido. Locutor de rádio, filho de proprietários de Salvaterra e grande amigo da mesma. Aqui lhe presto a minha homenagem!

Princesa do Erges

Todo o mundo em ti repara
com atenção sem igual
pois és terra que separa
Espanha de Portugal

És bela de lés a lés,
é o Erges que assim o diz,
só por tu seres quem és,
Deus assim o quis,
vem beijar-te os pés.

Ó loiro trigo, que belas searas,
e que gordos porcos, tão formosas varas,
que belos rebanhos, de mansas ovelhas,
éguas e machos, que lindas parelhas.

Nas terras baixas, que bem poucas são,
cresce o alto milho, verdeja o feijão,
as belas fruteiras, o bom grão de bico,
melões , melancias, que manjar tão rico!

Refrão
Todo o mundo em ti repara
com atenção sem igual
pois és terra que separa
Espanha de Portugal

És bela de lés a lés,
é o Erges que assim o diz,
só por tu seres quem és,
Deus assim o quis,
vem beijar-te os pés.



A letra é esta ou muito parecida, a música essa não lha posso pôr mas, cada um canta-a da maneira que a sentir!

Felicidades e um bom domingo!

João Celorico