segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

“Viagem ao centro de minha terra..."

“Viagem ao centro de minha terra” estreou na passada Sexta-feira, na RTP 1, por volta das 21 horas.
A viagem começou no Concelho de Idanha-a-Nova, e devo dizer-vos que este é um dos programas que vale a pena ver. Apesar de ter achado que muito tinha ficado por dizer e mostrar, principalmente muitas freguesias por revelar (incluindo Salvaterra, claro), mesmo assim, adorei este programa que nos revela muitas verdades escondidas no interior “perdido” do nosso país…
Começámos por subir acima ao castelo, onde lá ao longe se vê Espanha; dêmos um abraço a Monsanto e o coração à Idanha…
Com o Sr António Santos, visitámos o castelo de Idanha, construído no último quartel do século XII, pela Ordem dos Templários. Do cimo do castelo temos uma bela panorâmica por toda a campina de Idanha. Disse o Sr António, que nestas terras tudo se dá: laranjas, pêssegos, etc… Pena que esteja tão mal aproveitada.
Daí fomos para Alcafozes, onde ficámos a conhecer a Íris Abas, uma senhora adorável de 52 anos, natural da Suiça, que fala com os seus animais com um carinho especial.
Sempre acompanhada da sua burrica, ela fez questão de mencionar que ao comprar, preferiu uma burra, pois está bem ciente da extinção deste animal, que sempre foi o meio de transporte dos locais…
Em Idanha ela concretizou o seu sonho que era poder comprar um terreno para poder ter cabras, galinhas, um cavalo… Criou os três filhos no campo e ensinou-os a viver. Dizia ela: “fundamentalmente vivendo é que tu sabes sobreviver, porque antigamente não havia muita escola, e hoje em dia dizem que éramos ignorantes na altura, mas não. Éramos é muito mais inteligentes que as crianças de hoje, ao aprendermos desde pequeninos por ex., a acender o lume, a ordenhar uma cabra, entre outras coisas… Aprendiamos desde pequeninos o que era a vida…”
Íris deixou-nos entrar em sua casa. Mostrou-nos a picota, um sistema de contrapeso árabe muito antigo, que serve para tirar a água do poço.
Ela cultiva favas, alfaces, batatas, cenouras, alhos, etc… Bebe leite da cabra e faz os seus próprios queijos; enfim, sobrevive do que cultiva e faz.
De Alcafozes fomos a Penha Garcia, o paraíso da escalada de muitos adeptos.
Vimos os antigos moinhos do Geoparque, e com o Sr Domingos Rodrigues (que tive o prazer de conhecer no Verão passado) entrámos num deles e vimos como funciona a moagem do trigo ou centeio. No interior destas simples “casinhas” e moinhos espalhados pelo Geoparque, encontram-se autênticas testemunhas vivas de um passado distante, e como é importante preservar o nosso património…
Fizemos a rota dos fósseis, tendo Penha Garcia sido reconhecida pela UNESCO, pelo vasto espólio de fósseis encontrados e preservados.
De volta à Idanha entrámos no Solar do Marquês da Graciosa, de 1458, onde vive uma família de descendentes com 3 filhos, nada entediados pela vida no campo.
Assistimos à Procissão dos Passos e à Encomendação das Almas, que se celebra na Quaresma.
Um chefe de cozinha que trabalha num hotel nas Termas e vive em Idanha, deixou o seu testemunho de que aquilo que sonhou para os seus 50 anos, está a consegui-lo aos 30, com a qualidade de vida que tem e que conseguiu dar aos filhos…
Visitámos e vimos como funciona a Central Eléctrica da barragem Marechal Carmona, em Idanha…
Subimos ao posto de vigia dos bombeiros voluntários de Idanha…
Fomos à aldeia mais portuguesa de Portugal: Monsanto…
Em Proença-a-Velha, o Sr José Relvas, um artesão, curtidor de peles, mostrou-nos como se faz um adufe.
De volta a Alcafozes subimos ao campanário da igreja com o Ti Domingos, o guarda da torre sineira. Este velhinho adorável, que começou a tocar o sino ainda em criança, contou-nos emocionado as suas histórias, e lamentou-se que “hoje em dia, esta canalha já ninguém se interessa, ninguém quer estes serviços…”
Nas Termas de Monfortinho demos uma volta de bicicleta e sentimos o aroma do poejo à beira rio, e o rosmaninho nos campos…
Um programa que nos mostrou que as pessoas do campo têm muito melhor qualidade de vida que aqueles que vivem nas cidades. Nestas terras, onde todos se conhecem e entre ajudam, e não lhes falta nada…
Quanto a vocês não sei, mas eu não vou perder o 2º episódio…

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Como continuo sem grandes inspirações, venho deixar os meus votos de um Santo e Feliz Natal, a todos que por este cantinho passam.
Que a Paz inunde os vossos corações, não apenas na noite de Natal, mas nos restantes dias do ano.
Feliz Natal a todos!

Deixo-vos com um poema, que infelizmente, diz muito do Natal de hoje em dia…
O Sonho de Maria:

Eu tive um sonho, José, que não pude decifrar…
Celebravam o Natal, sem nosso filho chamar.
Uma grande e linda festa, as pessoas preparavam,
Mas do nosso menininho, elas nem mesmo lembravam.

Decoraram e iluminaram, a casa, com grande pompa!
Gastaram muito dinheiro, fazendo uma enorme compra!
Engraçado, mas não vi, presentes pro nosso filho,
Entre todos os pacotes, enfeitados com fitilho…

Muitas bolas coloridas, na árvore penduradas,
- Coitadinho do pinheiro, teve a raíz arrancada! -
Um anjo, bem lá no alto – esse sim, gostei de ver,
Lembrei da Anunciação, antes de Jesus nascer!

Ao trocarem os presentes – melhor mesmo que eu não visse
Nem falaram em Jesus, como se não existisse!
Celebrar aniversário de alguém que não está presente…
Você entende, José? Não é para ficar doente?

Acho mesmo que meu filho, ficaria tão confuso…
Se aparecesse na festa, o achariam “um intruso”!
Não ser desejado, é triste, depois do grande Calvário…
Dando a vida pelo irmão, num triste e cruel cenário!

Ainda bem que foi sonho… pois muito triste seria,
Ele voltar para a Terra, sentir que ninguém queria!
Mais um Natal, este, agora, em que eu iria dar à luz,
Sem saber se o povo entende, a grandeza de Jesus!

Autora: MÍRIAN WARTTUSCH

Pintura de Gerard van Honthorst

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Um pouco do Outono em Salvaterra...



Como não estou para grandes inspirações, deixo-vos um pequeno vídeo, ao qual nem adicionei comentários, pois penso que as imagens falam por si.
É lindo o Outono em Salvaterra. Para mim, são o Outono e a Primavera as melhores estações do ano, para visitar e permanecer em Salvaterra.
Os campos estão cobertos com tons de verde, castanhos, e dourados, a perder de vista.
Ainda que o tempo tão depressa chova, como faça Sol, há sempre momentos em que podemos sair de casa, e partir à descoberta.
Ao longe as serras, envoltas em nuvens, formam uma paisagem deslumbrante.
As oliveiras encontram-se carregadinhas de azeitonas; muitas delas, por não terem quem as apanhe, vão-se amontoando no chão.
Por todo o lado há musgo: nos muros, nas árvores, no chão…
Há cogumelos por toda a parte: desde o tronco imponente, ao tronco velho caído no chão. São lindos, mas mortais. Aquilo só mesmo para bom conhecedor.
As furdas silenciosas, são testemunhas das nuvens que passam apressadas.
P’lo caminho o avô conta uma história ao neto, que eu tenho uma certa dúvida, se será ou não verdade. Com tanta pedra ao longo dos anos pisada, só aquela é que seria desgastada pelas ferraduras dos animais? Deve haver outra explicação. Cá para mim é apenas uma cavidade natural na rocha, mas como não sou geóloga ou entendida no assunto…
O rio, esse, leva tanta água que já submergiu a única ponte existente, de acesso para a outra margem. O carro que se vê do lado espanhol, é o noticiado carro que caiu ao rio há umas semanas, tendo falecido um dos seus ocupantes. Uma noite de nevoeiro cerrado que, infelizmente, terminou em tragédia.
Na vila, chaminés fumegam e deixam no ar o cheiro da lareira acesa.
Já se faz sentir o frio, mas ainda se suporta bem. Tão bem, que após uma longa caminhada, até já se tiram os casacos.
E quando no céu se forma um belo arco-íris, a criança pergunta:
- Oh mãe, onde é que está a ponta dele…?
Se soubéssemos, há muito que já teriam descoberto o pote de ouro, que dizem estar escondido no fim do arco-íris…
Ai, o que eu não daria para estar agora em Salvaterra… Só lá encontro a Paz…

sábado, 26 de novembro de 2011

Os caminhos desta vida...

Aqui estou eu, em mais uma encruzilhada da vida, vivendo o que não esperava, e passando pelo que não contava…
Por que estrada devo seguir? Não vejo luz em nenhuma das opções…
Como seria bom, como alguém já disse, se pudéssemos contar com alguma sinalização pelos caminhos. Mas pensando bem, ela talvez até exista, nós é que não quisemos ver os sinais…
Passámos os avisos de “cuidado” a cem à hora, os avisos de “interdição”quebrámo-los todos, nos semáforos vermelhos ainda afrouxámos no decurso do amarelo, mas acabámos por passar, e tanto andámos, tantos erros cometemos, que acabámos por ser mesmo obrigados a parar no “Stop”.
Parar para reflectir: que jornada é esta que tenho feito? Existirá alguma ponte que me leve para outra margem? Uma margem mais calma, onde possa encontrar paz. Paz para a minha vida, que é o que mais preciso neste momento: paz de espírito e de coração.
Voltar atrás é impossível, pois o caminho acabou de ser cortado, num momento chamado Passado.
Para os lados também não é solução, porque talvez fosse encontrar os mesmos erros, em novos acontecimentos.
Olho para a frente e custa-me dar o primeiro passo. Se ao menos tivesse um GPS onde pudesse marcar como destino a felicidade, aí sairia a correr, mesmo não sabendo onde a estrada me iria levar. Mas não tenho GPS, e não vislumbro sinais nesta imensa encruzilhada.
Poderiam dizer-me: deixa-te guiar pelo coração. Mas desta vez não; é por causa dele que aqui me encontro…
Desta vez, por mais que custe, a cabeça terá de falar mais alto, porque até hoje sempre me provou que ela tinha sempre razão, e tu estúpido coração, que te iludes e ousas sonhar, acabas sempre por sair magoado…
Arrependida não estou, e não adianta mais chorar pelo que aconteceu e está a acontecer. Não são as lágrimas que trazem a solução, apesar de nelas encontrar algum alívio. Quando a tristeza é demasiada, quando a dor cá dentro é tão forte que quase nem conseguimos respirar, são as lágrimas que nos aliviam. E olhando para trás, vejo que a estrada por mim percorrida tem muitas lágrimas derramadas, demasiadas até. Preciso de lindos dias de Sol que evaporem tanta “água”…
E hoje foi um deles. Nesta linda tarde de Sábado, passeando à beira-mar, onde por incrível que pareça, nem uma brisa corre e o Sol nos aquece, vejo muitas das lágrimas dissiparem-se no ar.
Com uma dor imensa, pelos acontecimentos, pela distância e pelo silêncio marcada, olho o mar mais além da rebentação, e admiro a calmaria em que ele se transforma até o horizonte. Também a vida é assim. Passamos por zonas de rebentação, onde quem conseguir “surfar” passará mais depressa, para chegar à calmaria. É preciso é não nos deixarmos afogar, em toda a espuma que não nos deixa ver o caminho.
Ainda que um tsunami esteja prestes a mudar a minha vida e o seu rumo, não posso deixar-me afogar.
Olhando o horizonte, em que o mar se une ao céu, peço a Deus que me dê um sinal, de que, o que quer que me espera, eu consiga ultrapassar.

E aí, pouco tempo depois, eis o sinal: um lindíssimo pôr-do-Sol que nos maravilha e deixa sem palavras.

E por momentos, sinto-me revigorada, penso em todas as coisas boas que tenho e chego à conclusão: quando uma jornada termina, é porque Deus quer que iniciemos outra. E por mais incerto que seja o futuro, é para a frente que devemos caminhar. Mesmo que tropecemos nalgumas pedras do caminho, há que conseguir levantarmo-nos. Haja saúde para o fazer.
Olhando este céu repleto de esperança, penso que o segredo está em sermos felizes com aquilo que temos e deixarmos de aspirar aquilo que não podemos ter...
Uma boa viagem a todos, nesta acidentada, mas ao mesmo tempo, bela estrada que é a vida…
E como dizia Raul Solnado : “façam o favor de ser felizes!”, que eu, vou tentar sê-lo também…
P.S.: obrigada Ana! Obrigada pela sua amizade sincera, por me ouvir tanta vez, mesmo já tendo problemas de sobra, e por estar sempre lá para mim, quando mais preciso.
Obrigada pela companhia neste belo passeio à beira-mar.
Por vezes vale mais uma amizade sincera que um amor, é que a amizade, essa, pode durar para sempre…

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Salto da Cabra...

Quem vá a Salvaterra, não pode sair de lá, sem dar um “saltinho” a um local deslumbrante, com uma paisagem única, a perder de vista.
Refiro-me ao Salto da Cabra, um miradouro natural, com uma varanda para o canhão fluvial do rio Erges, e para a escarpa granítica, no cimo da qual se edificou outrora o castelo de Peñafiel.
Um local onde cada vento, tenta soprar mais forte que o outro; ainda assim, um local tão sereno e pacífico, onde renasce quem o visita…
Um local que nos responde se lhe gritarmos bem alto, fazendo lembrar o poema de Cecília Meireles:

“O menino pergunta ao eco
onde é que ele se esconde.
Mas o eco só responde: "Onde? Onde?..."

Um local de inspiração divina, por tão belas paisagens. Uma terra moldada pela mão de Deus, que colocou aqui e ali alguns montes, e mais ao longe, tantas serras, que parecem misturar-se todas e fundir-se com o azul do céu.
Um local intemporal, onde a música natural se propaga para lá do horizonte. Só não canta o rio, porque nesta altura do ano, não tem água suficiente para correr nas suas cascatas.
Uma região bravia que abriga tanta vida. São: os bandos de andorinhas que voam livres e despreocupadas junto ao rio, as cigarras mandrionas, que cantando enchem os ares, os abutres que, com sorte, conseguimos avistar, o zumbido das incansáveis abelhas, procurando o precioso néctar… É a natureza no seu mais belo esplendor.
As nuvens que passam desiguais, levam meus pensamentos com elas.
Não há palavras suficientes para descrever tamanha beleza natural. Beleza protegida do Parque Natural do Tejo Internacional…

sábado, 27 de agosto de 2011

No Erges aprendeste a nadar...

Antes mesmo de sair de casa, já ele dizia que não iria entrar no rio, que a piscina era melhor, que no rio só havia rochas, que algo nos picava as pernas, quando estávamos dentro de água, e que as cobras andavam por ali…
Não insisti com ele, pois entretanto já havia vestido os calções de banho, e já levava debaixo do braço, o barco telecomandado. Foi até o primeiro a entrar para o carro.
“-Eu só vou para experimentar o barco…” – afirmava ele, querendo convencer-nos a todos, que não iria acontecer algo, que ele tinha tanta vontade…
Quando chegámos ao rio, o calor era tanto, que a “famelga” não resistiu e fomos todos para dentro de água. Estávamos em finais de Junho, e como o Inverno havia sido “chuvosamente” generoso, o rio ainda tinha bastante água.
Escolhemos a parte em que a ribeira de Arades se encontra com o Erges, e aí, nessa água corrente e límpida, acabámos por passar muitas outras tardes.
Mas logo no primeiro dia, quem afirmava a pés juntos que nem sequer iria entrar dentro de água, mal demos por ele, já estava a banhos…
“-Eu só entrei porque vocês estão todos cá dentro, mas nem sequer vou molhar a cabeça…” – continuava ele a tentar enganar-nos.
E mal deu tempo para darmos umas braçadas, já ele havia mergulhado, e brincava feliz dentro de água.
Como era teimoso, e nunca queria dar o braço a torcer.
Tínhamos ali a melhor das piscinas, e só para contrariar, continuava a afirmar, que a piscina das Termas era melhor, e que até a água sabia melhor, porque tinha cloro. Imagine-se!
Claro que depois de se apanhar dentro de água, nunca mais de lá saía, a não ser para subir para as rochas, e atirar-se para dentro de água novamente:
“-Lá vai bomba!” – dizia ele, feliz da vida, criando o seu próprio tsunami que refrescava as rochas mais próximas.
E as bombas repetiram-se por muitas outras tardes.
Tardes de insistência, por parte de todos nós, para que fizesse um esforço e aprendesse a nadar.
Dizia-lhe o avô: “-Vá, aqui é que eu quero ver se consegues nadar”…
“-Eu só não nado, porque não quero, avô…” – respondia-lhe ele, sem dar parte de fraco.
E lá ia esbracejando, com os pés no chão…
Já havia tentado noutras águas; noutros mares. Mas mares tão revoltos, que nem sequer lhe permitiam boiar. Bebeu muitos pirolitos, e foi enrolado por muitas ondas, pelo que lhe parecia, com certeza, uma missão impossível de conseguir…
Mas aqui, nestas águas tão calmas, tinha agora a oportunidade de se tornar um “homem da Atlântida”...
Assim, depois de muita insistência da nossa parte, começou por treinar os “flutuamentos”, como ele dizia.
A dada altura, enquanto o segurava à tona de água, deitado de barriga para cima, pediu-me para o largar, confiante de que talvez se aguentasse a boiar.
Larguei-o e, lentamente, foi ao fundo.
“-Olha! A bóia ainda vai ao fundo.” – disse-lhe eu, na brincadeira.
A sua resposta pronta: “-Isso foi porque acabei de lanchar, mãe!”
E naquela calma tarde de Verão, ecoou no ar, o riso das nossas gargalhadas.
Ainda tenho esperança que um dia, venhas a ser tão modesto, que não tenhas vergonha de reconhecer as tuas fraquezas…
Passado pouco tempo, com a insistência de tantas braçadas, acabou por ser recompensado com a incrível sensação de nadar. E era vê-lo de óculos de mergulho, nadando por baixo de água, vasculhando o fundo com o olhar. Um "peixe" entre peixes...

Este Verão, meu filho, tiveste mais uma prova de que nunca se deve desistir daquilo que queremos. Só precisamos ter paciência e perseverança, que os resultados, mais cedo ou mais tarde, logo aparecem.
Este Verão aprendeste que nunca se deve desistir, e que se os outros conseguem, também tu o podes conseguir; apenas não podes ter logo esses pensamentos derrotistas à partida, e tens de acreditar mais em ti.
Terás tantos outros obstáculos a enfrentar pela vida fora... Nalguns tropeçarás, noutros cairás, e depois de alguns ultrapassados, te levantarás. E é disto que é feita a vida… Apenas, nunca desistas! Caminha com humildade e confiança em ti próprio, que conseguirás sentir-te realizado, em tudo aquilo que te propuseres…
Este Verão, ficar-te-á para sempre na memória, como o Verão em que aprendeste a nadar…
“Maior que a tristeza de não haver vencido, é a vergonha de não ter lutado”… E este lema, servir-te-á para tudo, para o resto da tua vida…

domingo, 21 de agosto de 2011

Olhos enigmáticos...


Já que em plomes e cantchais falamos
Um desafio vos venho deixar,
Este cabeço arredondado
Tem um segredo milenar.

Olhando as pedras nos plomes,
Numa não deixei de reparar,
Destaca-se de todas as outras
Por uma cara personificar.

Ora digam lá meus amigos
Se conseguirem decifrar,
O enigma destes olhos
Que parecem vaguear.

Beijado pelo vento
Que aqui passa a correr,
Se ao Mundo falasse.
Muito teria que dizer.

Sabe-se lá que segredos esconde
E tudo aquilo que já viu,
São tantas as histórias que guarda
Mas nunca o sigilo traiu.

Nos plomes deitado
Sem ter boca nem nariz,
Apenas os olhos nos fitam
Mas não parece infeliz.

E como poderia sê-lo
Num local tão bonito?
Olhando o castelo em cima,
E à noite o infinito.

Coberto de musgo
Pelo menos no tempo frio,
Assim bem agasalhado
Sem sentir um arrepio.

Granito pelo tempo moldado
Em reserva geológica protegido,
Por todos é admirado
E pl’a chuva vai sendo polido.

De Inverno por vezes se esconde,
Quando é grande a enchente.
Ao menos brinca com os peixes
E ouve os segredos da corrente.

Talvez tenha sido um gigante
Por uma maldição adormecido
Que ali ficou empedrado,
Eternamente esquecido.

Talvez por um tesouro olhe
Deixado por mouro ou templário
Quem sabe um dia faça
Um feliz milionário.

Talvez seja um extra-terrestre
Que por acaso nos visitou,
Olhando tanta beleza,
Não resistiu, e ficou.

Corpo de pedra,
Coração sofrido.
Mente sonhadora,
P’las nuvens entretido.

- Onde vai senhora nuvem
Com tanta pressa a correr?
- Que inveja sua eu tenho,
Por não poder o Mundo ver.

E nele repousa um sapo,
À espera de ser beijado,
Também queria mudar de vida
Tal como o amigo aprisionado.

É grande a curiosidade
De quem esta foto tirou
Que olhos serão estes,
Que o tempo não fechou?

Se ao menos as pedras falassem…