terça-feira, 10 de agosto de 2010

“Chegou ao seu destino…” Parte I

“Chegou ao seu destino…” – disse a voz masculina, assim que se ligou o GPS, ainda estávamos à porta de casa… Agora pensando melhor, este foi um sinal para nem o tivéssemos ligado…
Mas a curiosidade do Tiago pelo aparelho, fez com que lá marcássemos o destino: Salvaterra do Extremo. Só que tínhamos duas opções: a N240 ou a N332. Como marcámos a opção errada, aconteceu que logo ao chegar a Castelo Branco já o GPS dizia para sairmos na 1ª saída, em Castelo Branco Industrial. Como não fizemos caso e seguimos em frente, disse-nos para sairmos na 2ª, em Hospital. Como também não fizemos caso, mais à frente, numa rotunda, em que sei que costumo sair na 2ª, o GPS disse-nos para sair na 1ª. A Ana só me dizia assim: “oh, Cristina, se calhar é melhor fazermos o que ele diz…” E eu, que já vinha baralhada, a pensar porque raio o GPS nos foi dizendo para sair em todas as saídas por que passámos, acabei por dizer-lhe, “está bem”.
E a Ana virou novamente para a A23.
Quando chegámos a Penamacor, disse-lhe: mas nós não costumamos passar aqui.
Aí já o GPS dizia: “assim que puder, faça inversão de marcha”.
Que vergonha, pensava eu… Como pude deixar que a Ana virasse onde o GPS dizia??
Quando chegámos a uma rotunda, encostámos um bocadinho à direita e perguntámos a um carro que nos ia a passar, o caminho para Salvaterra. E os moços, nem sequer sabiam onde ficava, mas ainda nos disseram: nós vamos para Alcains, se quiserem podem seguir-nos e daí se calhar já vão para Salvaterra.
Quando passam então à frente, fartámo-nos de rir as duas, pois o carro tinha matrícula francesa…
Oh, vergonha das vergonhas, eu que já lá fui tantas vezes, ter-me enganado assim, e agora íamos atrás de uns franceses…
Mas também não andaram muito, pois logo à frente havia uma brigada da PSP a mandá-los parar…
Oh que alegria a nossa, àquela hora tardia da noite, ver polícias a quem pudéssemos pedir informações. Os franceses tiveram de parar e nós que queríamos parar também, só para pedir informações, o polícia fazia-nos sinal para que continuássemos. Mas desrespeitámos a lei e parámos mesmo, pois estávamos completamente perdidas.
Então contámos-lhe a nossa aventura e como chegaríamos agora ao nosso destino… Ele retorceu o bigode, como que a pensar: como é que tendo GPS e tudo, estas mulheres vieram aqui parar, lol…
Então sugeriu-nos algo, que nos espantou às duas: “ali mais à frente, se aproveitarem bem a curva da estrada, dá para virarem para trás…”
Ele estava a sugerir que assim que entrássemos na auto-estrada fizéssemos inversão de marcha e passássemos traços contínuos e tudo…
Realmente dava para fazer isso, na escuridão da noite, viam-se bem os faróis dos carros, se algum viesse de frente, mas cometer uma infracção daquelas? E ainda por cima sugerida por um policia?
Nã! A Ana desconfiou que andassem à caça da multa, e acabou por não o fazer.
Ficámos sem saber se realmente o policia andava à caça da multa ou se estaria a ser amigo, pois ao seguir em frente acabámos por “visitar” Escalos de Cima, Oledo, Idanha-a-Nova, etc…
Enfim, uma grande volta desnecessária…
E que alegria, quando em pleno breu, avistámos no cimo do monte, Salvaterra iluminada.
Aqui já o GPS vinha calado, pois logo na Zebreira disse: “chegou ao seu destino…” lol…
E o nosso destino era mesmo mostrar Salvaterra do Extremo à Ana, que nunca lá tinha ido, e passarmos no festival da melancia do Ladoeiro. Saímos de casa Sexta-feira ao fim da tarde, e acabámos por chegar Sábado às tantas da manhã… E mesmo àquela hora o termómetro marcava 39 graus. Estava um calor insuportável. Depois foi arejar a casa, limpar a bicharada do chão, que mesmo com a casa fechada, eles conseguem sempre entrar, e deitarmo-nos, exaustas da longaaaaaaaa viagem…

terça-feira, 22 de junho de 2010

Quando comecei este blog, foi com o intuito de homenagear meus avós e a sua aldeia; deixar a meu filho, memórias do passado, de tempos em que a vida era bem diferente, e ele nem faz ideia do quanto.
Entretanto comecei a pensar: como ninguém dura para sempre, um dia será ele a recordar a vida que eu lhe dei. As memórias que lhe deixei; enfim, todos os momentos passados.
Claro que espero que esse dia venha muitooooo longe. Mas até lá, vou aproveitando a dádiva de estar viva, e porque não, ir-lhe já deixando testemunhos dos sítios por onde passámos e daquilo que vivemos. É também uma maneira de divulgar outros locais e eventos que merecem ser divulgados.
Pois, por isso mesmo, vou hoje deixar aqui o testemunho de um evento que ocorreu Sábado passado, no Solar dos Zagallos, na Sobreda:

Houve festa no Solar:

Este é o décimo ano que esta festa se realiza, e eu nunca lá tinha ido. Fui este ano pela primeira vez e adorei.
Peguei no Tiago, mandei mensagem à Ana, e lá nos encontrámos os três.
Uma vez por ano, o Solar proporciona ao público um dia inesquecível, pleno de actividades, ateliers e workshops, provas de gastronomia típica, em pleno piquenique, concertos e outros momentos musicais, exposições e recriações de cenas de outros tempos, tendinhas de venda e divulgação de produtos artesanais, etc…
Tudo isto decorre numa viagem ao século XIX, época de damas e cavalheiros nobres, num pequeno palacete e jardins românticos.
Assim que entrei, pelo lado do jardim, deparei-me logo à entrada, à sombra de uma árvore, com a pitoresca cena de uma camponesa, sentada numa manta de retalhos fingindo estar a fazer um piquenique. Iam pessoas a entrar à minha frente, pelo que levaram com a salvação de “boa tarde”, acompanhada de um sorriso da dita camponesa. As pessoas murmuraram entre dentes, uma resposta de “boa tarde”, mas sem sorrisos e sem dar “confiança” à camponesa… As pessoas que assistiam sentadas nos bancos de jardim à volta até se riram e comentaram: “mas que grandes trombas de elefante…”
Realmente! Recebem um sorriso do século XIX, mas no século XXI, parece que já ninguém sabe sorrir. Eu bem estou sempre a dizer que nasci no século errado. Se calhar por isso, é que gosto tanto de entrar em locais históricos como este. Talvez noutra vida tenha sido uma dama da Corte de algum rei… Quem sabe!?
Logo ali perto encontrava-se uma bancada de antiguidades, à qual não resisti tirar umas fotos. A Ana deteve-se numas botas, dizendo que pareciam iguais às que ela calçava em criança, e o estojo de compassos completo, como usavam antigamente na escola…

Mais uns passos e eis que nos deparamos com estas figuras: um nobre, algumas damas e uma criada, que passeavam juntos.
Como me viu a tirar fotos a seus belos trajes, perguntou-me se tínhamos acabado de chegar. Respondi que sim.
E aí, com seu ar de importante pessoa que era, pediu à criada que abrisse a caixa que transportava, para ela tirar 2 papéis de lá: um explicando a importância de um baile, e de como dar um baile, e o outro explicando o que se deve fazer, quando se recebe um convite para um baile…

Agradeci tal amabilidade e perguntei: “e que tal uma foto aqui com a criança para a posteridade?”
- Uma foto?
Fica pensativa e responde: “sim, pode ser uma foto.”
Mas depois lembrando-se que provavelmente naquela época ainda não tinha sido inventada a máquina fotográfica, rematou: “ou seja lá o que isso for”, lol…
E aqui a criança sorriu mesmo com vontade para “o passarinho”…
Continuámos caminho, e parámos numa banca de brinquedos tradicionais, todos feitos à mão. Um encanto. E era ver as crianças soprando em passarinhos de barro, com água dentro, cujo som enchia o jardim de alegres cantares de passarinhos…
Depois parámos no oleiro, que mesmo ali à nossa frente moldava e esculpia o barro.
É a roda que gira sem parar e as suas mãos hábeis que fazem a peça que dali nasce… Ele faz parecer tudo tão simples, mas quando somos nós a tentar, saem autênticos “trambolhos”…
Andámos mais um bocadinho, e tivémos a possibilidade de nos caracterizarmos como uma figura do século XIX. Aqui o escolhido foi o Tiago: de cartola, luvas, monóculo, cachimbo e bengala, sentiu-se um importante Senhor, e imaginou-se na pele de um possível dono desta quinta…

Mais uma bancada à frente e temos o gostinho do puro mel de rosmaninho, podendo assistir ao vivo, a um pouco da vida numa colmeia, com as atarefadas abelhas. Nunca tinha visto ao vivo um favo de mel… E diz a Ana: “e que bom que era chupar este mel…”
Ela, ao contrário de mim, cresceu no campo, por isso teve uma infância muito mais feliz e experiente.
De repente, uma música bonita alegra o ambiente. “Vamos apressar-nos, parece que o baile está a começar…”
E ao chegar ao fundo do jardim, eis o salão de baile montado. Só que desta vez, é para pessoas como nós, do século XXI.
Aqui uma professora de dança, ensina os passos correctos. De microfone na mão, lá vai dando instruções a quem se quis juntar a ela.
E depois quando pensa já estar tudo ensaiado, recomeça a música e vai cada um para seu lado, lol…
Comento para a Ana: “são muitos passos para decorar, isto é difícil…”

A pequena capela do jardim, hoje abriu as suas portas e lá dentro, sentado, tocava um talentoso músico. Como é lindo o som da velhinha guitarra portuguesa. Uma pessoa fica ali à entrada encantada com a música, e com os magníficos e antiquíssimos azulejos da capela…
Defronte, um pintor esboçava num papel estilo antigo, os rostos de quem conseguia manter-se imóvel por algum tempo, para que a obra de arte nascesse…
Dentro do solar, o deslumbre em cada sala…
“Mãe, não me importava nada de morar aqui…” – diz o Tiago.
“- Pois! Nem eu filho, nem eu…”
Diz a Ana: “aqui de Inverno nem se passa frio. Basta olhar para a grossura das paredes, como só antigamente faziam…”
Ao sair do solar, um carro de bombeiros antigo aguardava a curiosidade das crianças e dos adultos. E era vê-los a tocar o sino, como que a avisar do perigo, a sentarem-se no banco do condutor, sem conseguirem chegar aos pedais, e a explorarem cada recanto, cada utensílio que compunha o carro…
Quem teve a honra de fazer o encerramento da festa foi um grupo de mulheres cheias de ritmo: “As Tucanas”.
O público adorou!
Com uma parte dos instrumentos inventados, uns feitos de bidons ou restos industriais conseguem uma sonoridade única. O som forte e ritmado dos tambores até parece tocar dentro de nós.
“- Oh mãe, até parece que se sente o som aqui…” – dizia o Tiago, apontando para o peito e a barriga.
Está de parabéns este grupo, que não conhecia. Com temas inspirados nas tradições portuguesas, africanas e brasileiras, conseguiram captar a atenção e deleite do público, principalmente os mais pequeninos, que sentados no chão, olhavam espantados, como até de um rude bidon sai música…
E assim passámos uma tarde espectacular. Contei aqui apenas parte do que vi e vivi. Sim, porque se fosse a contar tudo, este blog virava um diário, e não haveria pachorra para me lerem até ao fim.
Saí do solar pelo sítio onde entrei, pelo lado do jardim, ou seja: fomos dar à manta de retalhos onde se fazia o piquenique. E agora quem lá estava não era a camponesa, mas sim o camponês.
A Ana não resistiu e pediu uma foto, sentada, junto ao farnel. Perguntou ao camponês se podia tomar a liberdade, e ele disse que sim.
Quando se levantou, disse-lhe: “e já agora, porque não tirar uma foto com o dono do farnel?”, que se encontrava sentado no banco do jardim…
“Venha cá menina, sente-se aqui. Faz de conta que estamos a namorar.” – aproveitou logo ele.
Como tomou a liberdade de lhe por o braço por cima, eu ainda fiz o comentário: “olhe não abuse, que no seu século, não namoravam assim…”
Ele respondeu com ar de maroto: “namoravam sim, mas era ao lusco-fusco…”
E para a foto, até ficou a piscar o olho. Pudera! A menina Ana até era jeitosa, loirinha e de olho verde…










segunda-feira, 7 de junho de 2010

Se ao menos eu pudesse...

Ai, se eu pudesse…
Trocaria num ápice a cidade pelo campo…
Trocaria a correria e a vida agitada, pela paz e pelo sossego…
Trocaria o ar poluído, pela inalação do ar puro e vivificante da intocada natureza…
Trocaria o barulho dos automóveis, pelo alegre chilrear de tanta espécie diferente de aves…
Trocaria o ar sisudo das pessoas, por um largo e sincero sorriso dos habitantes da vila…
Trocaria a desumanização das gentes da cidade, pela solidariedade e amabilidade dos Salvaterrenhos…
Trocaria o liso passeio, pelo piso incerto da calçada romana…
Trocaria a água engarrafada pela pureza da água da Fonte da Ribeira…
Trocaria a praia super lotada, pela margem do rio Erges…
Trocaria o vislumbrar de tanto edifício de betão, pelos montes e vales a perder de vista… Trocaria o pão cheio de conservantes, pelo apetitoso pão tradicional…
Trocaria a ida segura a uma frutaria, pelo apanhar e picar das amoras…
Trocaria os legumes e frutas sem sabor, que se estragam em poucos dias, pelo doce e saudável sabor de uma fruta apanhada de colher…
Trocaria o perigo para uma criança, de brincar nas ruas, pela liberdade de brincar pelos campos… Trocaria as noites a ver televisão, pelas noites a ver as estrelas…
Trocaria o relógio, pelo sino a cantar as horas na Torre do Relógio…
Trocaria o despertar assustado ao som do ruidoso despertador, pelo despertar ao som do cantar de um galo…
Trocaria o Sol a nascer escondido atrás de um prédio, pela beleza de se ir mostrando no horizonte…
Trocaria a falta de tempo, pelo tempo que no campo dá para tudo…
Assim é a vila de minha vida… Tudo isto e muito mais…
Trocaria minha vida na cidade, pela vida em Salvaterra…
Ai, se ao menos eu pudesse…

terça-feira, 1 de junho de 2010

A todas as crianças do Mundo, e a uma em especial: feliz Dia da Criança...

Ai como eu gostaria de voltar a ser criança.
Poder ter como profissão: brincar…
Ter como preocupações os vestidos e os penteados das bonecas…
Poder ter como obrigação a escola e o estudo, outra vez…
Poder passar o dia a cantar, sem pressa de crescer…
Poder viver num mundo de fantasia e de tanta imaginação…
Poder voltar a acreditar no Pai Natal, na cegonha e em tantas outras lendas ou histórias…
Poder acreditar que tudo é possível acontecer…
Poder viver rodeada de outras crianças minhas amigas, sem maldade, sem falsidade, sem cinismo ou fingimento…
Quem me dera poder apagar dos adultos estes sentimentos e fazer nascer neles, outra vez, um pouco de criança…
Quando oiço perguntar a uma criança, "o que queres ser quando fores grande?”, apetece-me logo responder: ser criança.
E hoje, dia da criança, apenas venho desejar a todas elas um Mundo melhor: alimento para todas, um lar para todas, agasalho para todas, amor, protecção, amparo; enfim, tudo aquilo que as crianças têm direito…
Ao meu filho em particular, desejo uma vida feliz e que ele um dia se torne um homem íntegro, respeitado e respeitador, um homem com valores, e que nunca se deixe corromper pelos males desta sociedade…
Desejo que não seja tão egoísta e dê mais valor ao que fazemos por ele. Talvez, quem sabe, um dia ele chegue lá; talvez um dia quando, também ele for pai…
Tanto tem de bom como de mau, mas como o amo incondicionalmente (uma palavra ainda demasiado grande para ele), venho deixar-lhe esta homenagem neste dia e dizer-lhe que é o meu Mundo e que deu um novo sentido à minha vida.
A ti meu filho, deixo aqui memórias de bons e maus momentos, sim porque olhando para uma foto, em que parece haver alegria, muitas vezes tive de me zangar contigo, só para tirares uma simples foto. Birras e teimosias do momento. Apesar de tudo, sei que um dia, destas não te lembrarás, e só recordarás os bons momentos onde juntos tirámos uma foto.





"Ser criança é acreditar que tudo é possível.
É ser inesquecivelmente feliz com muito pouco.
É tornar-se gigante diante de gigantescos pequenos obstáculos.
Ser criança é fazer amigos antes de saber o nome deles.
É conseguir perdoar muito mais fácil do que brigar.
Ser criança é ter o dia mais feliz da vida, todos os dias.
Ser criança é o que a gente nunca deveria deixar de ser".
Gilberto dos Reis

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O pelourinho de Salvaterra do Extremo:

Este texto é a minha contribuição para a blogagem de Maio do site http://aldeiadaminhavida.blogspot.com/, que tem como tema: “este mês, vamos ao Museu.”
Como a minha vila não possui um Museu, porque toda ela é um Museu aberto ao ar livre, onde cada pedra da calçada, de um muro ou monumento conta uma História longínqua, vou falar do monumento que melhor caracteriza qualquer vila, ou seja: o seu pelourinho.
in Dicionário da História de Portugal temos o significado de pelourinho: “coluna de pedra colocada em lugar público, de cidade ou vila, e na qual os municípios exerciam a sua justiça. Era o distintivo da jurisdição de um concelho e da sua autonomia judicial (...) Eram edificados na praça pública. Os delinquentes eram amarrados à coluna ou suspensos por baixo dos braços às argolas, ficando alguns palmos acima do solo, sendo posteriormente açoitados ou mutilados.”
E perante isto, dou comigo a pensar: esta coluna de pedra silenciosa, afinal se pudesse falar, muito teria que contar…
Situado na Praça da vila, defronte do antigo edifício da Câmara e Torre do Relógio, este pelourinho, que tem resistido à passagem do tempo, data do século XVI, por altura do reinado de D. Manuel I, por altura dos Descobrimentos marítimos…

Não é por ser da minha vila, mas é dos mais bonitos em Portugal e com tanto significado nele inscrito.


Segundo a Monografia de Salvaterra do Extremo: “ apresenta a configuração de um septro formado por uma coluna de pedra oitavada da altura de 3 metros, bem trabalhada, a qual finge atravessar nessa altura, um anel de pedra que sobre ela assenta e termina gradualmente oitavado em espiral, formando um facho com balas onde ainda em cada uma das 8 estrias, semelhantes a metralha, que sai da boca de um canhão.


À semelhança do ceptro de El-rei D. Manuel I, o anel apresenta na nascente um escudo com esfera armilar nela esculpida; ao poente, outro escudo com a Comenda da Ordem de Cristo; ao norte outro escudo com a Cruz da Comenda da Ordem de Aviz; e ao sul ainda outro escudo com as quinas portuguesas.


Tanto na parte superior como na inferior do anel, vão 2 cordões em roda com a flor de liz e barcos de canhão e ao centro, a entrelaçar os escudos, um cabo de navio, tudo lavrado em relevo na pedra.
A esfera e o facho – representam Ciência e Progresso.
As balas e bocas de canhão – o Exército
O cabo do navio – a Marinha
As quinas – o Rei
A cruz de Cristo – o Clero
A cruz de Aviz – o povo, como cavaleiro que foi nos seus tempos primitivos.
Encerra, pois, o pelourinho de Salvaterra um alto conceito, próprio para um povo da raia, fronteiro a Espanha, o qual pode dizer de cabeça levantada que aquela pedra diz Ciência e Progresso, Exército e Marinha, rei, clero e povo que, unidos lutaram sempre pela independência de Portugal, com honra e glória imortais…”
Por isso meus amigos, comecem a observar com mais atenção os pelourinhos por este país espalhados, pois tocar na sua coluna, é tocar pedaços de História, para sempre na pedra gravados.

domingo, 2 de maio de 2010

Ser mãe é...

O que é ser mãe? – perguntaram-me um dia.
Ao que respondi:
Ser mãe, é carregar no ventre durante 9 meses um ser, que continuará para sempre ligado a ti, e de ti dependente. Dependente de teu amor, teu carinho, teu conforto, tua ajuda, teus conselhos (se bem que nem sempre ouvidos), enfim, teu colo…
Ser mãe é sofrer na hora do parto, e depois sofrer o resto da vida, sempre que ele não está bem… Ser mãe é perder muitas noites de sono e depois ir trabalhar de manhã cedo, como se tivesse dormido o suficiente…
Ser mãe é sufocar uma lágrima na transparência de um sorriso…
É dizer que tudo está bem, quando na verdade não está…
Ser mãe é fazer tantos sacrifícios, sem nada pedir em troca…
É esqueceres-te de ti própria, a partir do momento em que ele nasce…
Ser mãe é questionares-te em certas alturas se as sementes que hoje plantas, darão uma boa colheita amanhã…
Ser mãe é permitir que ele cresça e ensiná-lo a voar, para que um dia abra suas asas para a vida e aprenda a voar sozinho…
Ser mãe é veres tua própria mãe com outros olhos, e finalmente dares-lhe todo o valor que ela merece, pois só quando temos um filho, é que damos o verdadeiro valor a nossa mãe.
Ser mãe tem muito sacrifício implícito, mas tudo isso é recompensado com a indescritível sensação de dares vida a um ser, de sentires seus pontapés e acariciares a barriga, como se o acariciasses a ele, de o teres nos braços pela primeira vez, de o alimentares com teu próprio alimento, de veres o seu sorriso lindo desdentado, de o veres a gatinhar e a dar os primeiros passos, de ouvires a primeira palavra, de sentires o seu abraço e principalmente quando ouves, se bem que poucas vezes: “mãe, gosto muito de ti…”
Ser mãe é a maior “empresa” do Mundo. Uma tarefa árdua e complexa, que deve ser feita com muito amor, um amor de uma só espécie, como só uma mãe sabe ter e dar: um amor incondicional e sem limites…
Ser mãe é ter um filho no ventre durante 9 meses, e depois tê-lo no coração o resto da vida…
Deixo neste dia, um beijo a todas as mães, e um especial para a minha que peço a Deus poder tê-la a meu lado durante muitos anos, para que possa sempre dizer-lhe:
-Feliz Dia da Mãe!

terça-feira, 27 de abril de 2010

A Páscoa na minha vila...

Este ano só cheguei à terra, mesmo no Domingo de Páscoa, já de noite.


Mesmo assim, ainda deu para ir espreitar o conjunto musical que actuava nessa noite, com suas bailarinas, cujos olhares masculinos olhavam embasbacados para os dotes físicos das meninas, lol…
Deu ainda para assistir ao espectacular fogo de artifício. Este ano, não se pouparam a esforços para dar aos filhos da terra e não só, um maravilhoso espectáculo pirotécnico. Foi para compensar o ano passado, com certeza, em que não foi lançado um único foguete.
Mas foi, de facto, muito bonito. O rebentamento estrondoso no ar, era compensado pelos belos efeitos de luzes, no céu escuro, da noite escura. Maravilhoso!
Na Segunda-feira, os foguetes que começaram pela alvorada a ser lançados, não nos deixaram dormir até mais tarde. Mas a intenção era mesmo essa: para chamar ao pequeno-almoço da chanfana e do arroz com tripas. Eu pessoalmente, dispenso! Mas aconselho a experimentarem, quem sabe até gostam...
Este ano, pela primeira vez, conseguimos todos chegar atrasados à procissão. Como se costuma dizer: “já a procissão ia no adro”, lol… Mas o atraso deveu-se a terem-nos informado que começaria a uma hora, e afinal começou mais cedo.
Desanimei logo um pouco, pois sempre que vou, costumo posicionar-me antes da procissão começar, nos pontos estratégicos que dão melhores fotografias. Este ano, cheguei atrasada, e era ver-me a passar do fim da procissão para o início, e depois eles iam passando, e lá voltava eu, em passo apressado, ao inicio da procissão, voltando a pedir licença às mesmas pessoas para me deixarem passar. Isto nunca me tinha acontecido. Eu que gosto de passar despercebida, este ano fui pior que “fotógrafa de casamentos”, como alguém já me disse, lol…
Quando a procissão chega ao destino, à capela de N. Sra. da Consolação, são então lançados mais foguetes. E quando volta o silêncio, é ver as crianças à procura das tão desejadas canas. Esta é a maior alegria que podem ter, durante os dias que dura a festa.
Depois da missa, dirige-se o andor de N. Sra. e de Sto. António, para o recinto do bodo, onde será benzida a tradicional mesa com o pão, o vinho, o ensopado de borrego, os folares e o saboroso queijo da região. Entretanto já muitos acorreram a apanhar lugar e aguardam com a mesa já posta. Nesta espera, reencontram-se velhos amigos e fala-se dos tempos de meninice e de traquinice…
Começa então a ser servido o pão em grandes cestos, o vinho, e os alguidares da sopa de grão. “-Está boa!” – esta sopa de grão e massa, que farta por si só.
Depois vem o ensopado de borrego, que também não sou muito apreciadora. Mas dizem as boas bocas, que também está muito bom.
E assim se vai passando o bodo. Muitos espanhóis e portugueses juntos, confraternizando entre si…
E depois é vê-los a partir, pois há ainda que fazer grandes viagens, e muitos, Terça-feira já têm de ir trabalhar…
Mas não eu! Este ano aproveitei as férias da escola da criança e meti o resto da semana de férias. E digo-vos: foi o melhor que fiz.
Não há como a Primavera! Está-se cá bem melhor nesta altura, que no calor tórrido do Verão. E é tudo muito mais bonito…
Nestes dias, andei por certas localidades vizinhas, que também são muito bonitas, como: Segura, Termas de Monfortinho e Castelo Branco, e muito tenho eu para contar desta linda cidade… Mas isso, fica para outro post, pois este já vai longo…
Bem haja a todos quanto me visitam e ainda têm paciência para me lerem até ao fim…
Cristina.