segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um fim-de-semana bem passado...

Eram 9 da manhã de Sábado quando nos metemos a caminho, prontos para fugir do reboliço da vida urbana, e mergulhar na tranquilidade do campo.
Desta vez nem a chuva, nem o frio nos demoveram e lá fomos nós em direcção a Salvaterra, passando por diferentes paisagens deste nosso país…
Cada estação do ano tem a sua beleza, mas não há cores como as do Outono: os campos verdes, os tons variados de verde, amarelo, castanho e dourado nas ramagens das árvores, e pelas bermas da estrada…
O céu repleto de tons cinzentos, com alguns raios de Sol tímidos.
Quando começamos a entrar na zona mais montanhosa, é bonito ver as nuvens a envolver as serras; parece que o céu desceu à terra. Sempre em andamento, tirei algumas fotos que não chegam para mostrar a beleza destes fenómenos ao vivo.

Quando chegamos a Salvaterra, sente-se um frio de rachar. Já não estou habituada a tanto frio e a pontinha do nariz fica completamente gelada. Ainda não inventaram uns gorros próprios para narizes enregelados… Saí de casa apenas com uma camisola e um casaco; chego aqui, visto toda a roupa que posso, tal é a diferença de temperatura.


Não se vê quase ninguém nas ruas, mas cheira tão bem Salvaterra. Cheira à natureza molhada e ao fumo das chaminés das lareiras acesas.
Passando pelo local onde se costuma fazer o bodo na Páscoa, há uma grande azáfama de homens vestidos com fardas verdes e espingardas. E isso mexe na cabeça de meu filho que pergunta espantado: “mãe, Salvaterra está em guerra?”
Eu sorrio e respondo: “não filho, estes homens são caçadores, não são tropas…”
Viemos depois a saber que durante a manhã tinha havido uma batida e que durante a tarde se juntaram no clube de caça para almoçar e conviver. Não sei que caçaram este ano, mas o ano passado caçaram alguns coelhos, 8 javalis e um veado.
Mal se pode andar na rua, pois o frio congela-nos até a alma. Dou comigo a pensar como suportam tanto frio as poucas pessoas que cá vivem… e ainda não chegou o Inverno…
Acho que aqui o vírus da gripe A nunca chegará, pois também ele congelaria.
Em casa é que se está bem, com a braseira acesa, um chocolate bem quentinho e os serões bem passados em família.
“-Mãe, cheira a queimado…”
Vamos a ver, e já está uma pantufa derretida à frente, ainda em brasas…
Lá foi a avó apagar o “fogo”, e foi este o resultado:

Aqui na terra, é costume colocar a braseira num suporte próprio, debaixo de uma mesa de

madeira, e taparmos as pernas com uma “camila” de lã, o que fez com que o neto, não habituado a estes aquecedores naturais, se distraísse e colocasse o pé mesmo dentro da braseira.
“-Mas tu não sentias os dedos muito quentes?” – perguntaram-lhe.
“-Sentia, mas pensava que era mesmo assim!” – respondeu ele, coçando aflito os dedos dos pés.
Acabámos todos por nos rir à gargalhada.
E é assim: estes momentos que hoje passamos juntos, um dia mais tarde, iremos lembrar com saudade.
E é isto que importa mais que tudo nesta vida, os momentos passados com quem amamos…
Pena que no Domingo já tenhamos de partir, e não possamos assistir no dia 8, à tradição da chegada do madeiro.
Mas quem sabe para o ano...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Onde andará meu espírito de Natal???

Desde pequena que sempre adorei o mês de Dezembro. Não pelas prendas, mas sim pelo espírito que parece renascer em todos nós (ou pelo menos, em alguns de nós). Acho que se fosse em todos, acabariam de vez as guerras no Mundo e viveríamos em respeito uns pelos outros, em paz e harmonia.
Mas infelizmente não é isto que acontece.
E a verdade é que todos os anos anseio por Dezembro, e desejaria que este se prolongasse por todo o ano. No entanto, este ano não sei que se passa comigo, pois o espírito natalício ainda não me preencheu.
Talvez por ver o estado em que o Mundo se encontra e se vai deteriorando, fazendo-me pensar em que Mundo crescerá meu filho e os filhos dele...
Talvez por ver desaparecer valores a quem já ninguém dá valor...
Talvez pela superficialidade das pessoas, pelo seu egocentrismo...
Talvez por ver cada vez mais pessoas a viver de aparências...
Talvez por ver que, cada vez menos se fala de sentimentos...
Talvez por me sentir mais cansada que nunca...
Talvez por desejar certas coisas, que parece nunca se irão realizar...
Talvez por ver tanta injustiça à minha volta, principalmente no trabalho...
Talvez por ver certos colegas com tanto trabalho e outros com tão pouco...
Talvez por ver as chefias continuarem a ser engraxadas e a deixarem-se levar por quem não se faz valer pelo seu trabalho, mas sim por cinismo, mentiras e tanta, mas tanta falsidade...
Talvez por pensar que vivemos num Mundo que facilmente se deixa corromper nos seus valores e naquilo em que diziam acreditar...
Talvez por ver as pessoas mudarem, assim de repente, do dia para a noite...
Talvez por ter entrado numa estúpida fase de minha vida, em que todos os dias me parecem iguais, em que nada de novo acontece. Em que as conversas são iguais, as pessoas são iguais, as discussões são iguais, as pazes são iguais, tudo parece ser igual, num turbulento círculo vicioso.

Acho que precisava fazer um retiro espiritual com o Dalai Lama. Talvez com ele eu conseguisse ver o lado bom da vida e voltar a acreditar que ainda há esperança para a humanidade...

Desejo a todos vós, que Deus ilumine vossos corações, os faça transbordar de paz e amor, para que juntos possamos fazer deste Mundo, um Mundo melhor!
As nossas crianças merecem...
Um bom Dezembro para todos!
Cristina R.

P.S.: sei que não é um regresso muito feliz a quem vier a ler-me, mas é apenas aquilo que sinto...

De volta...

Porque a vida nem sempre é como gostaríamos...
Porque a vida nem sempre nos proporciona tempo para fazer tudo aquilo que nos apraz...
Porque a vida é uma correria louca, parecendo não ter rumo certo, muitas vezes...
Porque na vida há que definir prioridades, ficando para trás tanta coisa que começámos...
Porque na vida nem sempre somos compreendidos nas palavras que dizemos, nas amizades que fazemos, ou no tempo dedicado a um blog...
Por tudo isto e muito mais, me ausentei tanto tempo. Tempo demais, talvez!
Mas nunca esqueci os amigos que por aqui fiz e a todos agradeço os comentários, mesmo na minha ausência.
E agora regressada, muito me espantou o contador de visitas de meu blog. Marcava 12279. Acho que avariou; só pode. Pois, de onde poderia ter aparecido assim tanta gente?
Agora regressada, visito minha amiga Susana na sua “Aldeia de minha vida”, e já nem acho por onde me fiquei no seu blog. Tantos posts e algumas blogagens colectivas neste espaço de tempo, que nem numa semana iria conseguir ficar a par de tudo o que por lá aconteceu.
Pelo teu comentário no meu blog, Susana, vejo que em Agosto, no “Day blog”, destacas-te o meu blog, o que desde já agradeço (talvez venham daí as 12 279 visitas).
Vejo também pelo último comentário que me fizeram, que o amigo João Celorico também já tem um blog. Mas isso não me surpreendeu, pois tanta inspiração, claro que teria de “acabar” num blog. A ver se o visito um dia destes.
A ver se visito também o blog da Sandra, para ver como já está o seu bébé.
Mas por hoje fico-me por aqui, que os olhos já pesam e amanhã é mais um dia de acordar cedo.
Mais uma vez deixo a todos o meu obrigada pelas vossas visitas e comentários, e até breve.
Até muito breve, espero eu...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Resposta a comentário...

Olá amigo João,
tentei responder ao seu comentário, no mesmo local onde o colocou, mas como não consegui, pois dava sempre a mesma mensagem: “O seu HTML não pode ser aceite: Must be at most 4,096 characters”, porque me alongo sempre nos comentários, aqui vai:
Sim, as minhas férias foram mesmo como descrevi. Aliás aquele texto foi mesmo escrito enquanto lá estive e pude usufruir de tudo o que a vila nos oferece. Se pudesse voltava para lá outra vez, lol.
Espero que as suas também tenham sido, ou estejam a ser (se for caso disso) boas.
E não tem nada que me agradecer. Tem um talento nato com as palavras; ao lê-lo parece que tudo lhe saiu assim sem muito esforço. Eu pelo contrário, só consigo escrever algum verso de jeito, quando estou mais inspirada. Eu necessito de inspiração, o João parece que já nasceu inspirado.
Foi um sucesso a sua participação no blog da Susana, e deu uma lição a muita gente. Não era e continua a não ser, o prémio que está em causa, mas o simples facto de participar; o facto de divulgar uma vila que tão poucos conhecem. Eu própria, ainda ando a descobri-la...
Sabe que, em Julho quando lá estive, entrei pela 2ª vez na capela de Sto. António, na devesa. A primeira vez que lá tinha entrado não achei nada de especial, só que desta vez entrei com uma das poucas velhinhas da terra, e com ela, foi fascinante entrar na capela, pois houve mesmo um regresso ao passado, à História da capela. Com ela vi pormenores que não tinha sequer reparado da 1ª vez; tal como a data de 1725, inscrita no púlpito em granito. Uma data tão sumida, que é preciso tocar, para “ver”, porque ao tocar, delineamos os números com os dedos, e aí sim, parece que surge logo nitidamente, diante de nossos olhos, a data tão antiga. Ao tocar com os dedos na pedra gravada, imaginamos quem terá esculpido e como o terá conseguido fazer, naquela rocha secular. E então, invade-nos uma estranha sensação de retorno ao passado... Uma sensação fascinante...
Às vezes olhamos as coisas e nada vimos. É preciso aprender a olhar, é preciso deixarmo-nos levar pelas histórias dos sábios filhos daquela terra. Histórias passadas de geração em geração, e que seria uma pena não serem transmitidas a nossos filhos.
Às vezes é preciso conhecer a aldeia, com quem ali nasceu e cresceu. Acho que só assim se poderá conhecer a “alma” de Salvaterra, que tanto tem para nos contar, para nos mostrar. Coisas que por vezes passamos e nem sequer vemos ou reparamos, mas que estão lá, e que resistiram até aos dias de hoje.
O amigo João acredita que desde menina vou àquela terra, e só este Verão “descobri” o antigo cemitério romano? O que de fora só tem paredes em pedra, com as janelas tapadas também com pedras e um portão? Por fora nada parece, e quem olhe através do portão só vê enormes silvas secas. Mas quando se é mais arrojado como eu fui desta vez, descobre-se a História.
Ao olhar para a simples guita que mantinha o portão fechado, não resisti a desatá-la e a entrar. Como ia com minha mãe nem tive tempo de olhar tudo como deve ser, porque ela, supersticiosa, nem queria que eu lá entrasse. Ia perturbar os mortos, dizia ela. Mas onde há História, lá estou eu, nem que seja num cemitério, lol.
E só tive tempo de ver o enorme túmulo, todo construído em granito, com as pedras enormes, mas tão direitinhas e tão bem cortadas. E dou comigo a pensar: como será que os romanos conseguiam cortar tão bem a rocha? O túmulo estava assente no que minha mãe do portão me dizia ser um altar (sim, porque ela nem se atreveu a entrar...). E quando se olha para cima,vê-se um arco também em pedra, mas este já meio destruído.
Nem tive tempo para tirar uma foto do interior, pois minha mãe já dizia ser um sacrilégio ter entrado ali, quanto mais tirar fotografias. E que só a filha dela tem estas ideias, e blá, blá, blá... Acabei por lhe fazer a vontade e vim-me embora, mas com o pensamento de um dia lá voltar sem ela, lol...
Quanto à foto que utilizou para completar o texto sobre o bodo, claro que não levo a mal. Tirei imensas na Páscoa. Tinha até na ideia fazer um “slide show” com as mesmas, para postar no blog, mas não tive tempo; tal como as fotos que tirei agora nas férias... O tempo não chega para tudo...
Por isso esteja descansado que não levei a mal. Aliás, quem poderá levar a mal é uma tia minha que aparece naquela foto, e não sabe que eu a coloquei na net, lol... Mas também está de óculos escuros, por isso ninguém a deve conhecer, lol... Como o João disse: “foi por uma boa causa”, lol.
Fico então a aguardar que a Susana poste o texto sobre o Bodo de Salvaterra. Aliás, um facto que não mencionei no blog, mas que aconteceu na passada Páscoa, foi o lançamento do livro “A festa de N. Sra. Da Consolação”, do Sr cónego Bonifácio Bernardo.
Tive a honra de estar presente e ouvir o que ele disse. Um homem muito simples, também ele filho daquela terra, que acabou por ter o imenso trabalho de pesquisar e reunir documentos, para escrever também ele a História do bodo de Salvaterra. E ainda bem que há quem se dedique a pesquisar, a divulgar, e principalmente a deixar como herança para os nossos filhos, um pouco da História daquela vila.
Fique bem, amigo João!
Boas férias, bom descanso e boas escritas.
Até sempre!
Cristina

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Concurso "Festas e Tradições"...

Por falta de tempo, vou concorrer com um texto que já tinha postado...


A festa e a tradição da Páscoa na minha vila:

Minha aldeia na Páscoa

É linda a valer

É a Primavera em flor

É Jesus a renascer.

São os sinos a repicar

Para todos ao adro chamar

É a procissão que vai começar

Acendem-se velas para alumiar.

Alumia-se Nª Senhora

E Sto. António com o menino

Que são pelos crentes carregados

Entoando cânticos num hino.

Todos se revezam,

Para o andor carregar.

Uns cumprem promessas

Outros pedidos fazem, a rezar.

É a fé popular

Tradição já muito antiga

Foi a salvação por Nª Senhora

Que do povo foi tão amiga.

Da praga de gafanhotos

Livrou as searas fustigadas

E desde aí o povo prometeu

Sempre fazer as mesmas caminhadas.

Também um bodo se prometeu

Fazer aos pobres, anualmente

Onde nunca faltasse fartura

O carinho, a amizade e o crente.

No recinto do bodo,

Já fervilha o caldeirão

É muita a fartura neste dia

E a ninguém faltará o pão.

Antes do piquenique começar

Lá está o Sr padre para benzer

O pão, o vinho, a carne, a sopa,

E o folar, que todos hão-de comer.

Diz meu pai, por brincadeira

Que aquele vinho a todos faz bem,

Pois é o vinho de Nª Senhora

Abençoado pelo Sr. Padre: amem!

Pois não sei se é do vinho

Ou mesmo do próprio convívio

A alegria espalha-se por todos

Num contagiante alívio.

Também vêm espanhóis para o piquenique

Pois sempre prevaleceu a amizade

Entre estes dois povos vizinhos

Que juntos festejam em fraternidade.

Este ano faltaram os foguetes

E muito triste ficou o Tiago

Pois não pôde ir apanhar a cana

Para com ela brincar no largo.

“Olha a laranjinha

Que caiu, caiu,

Do cimo do monte

Nunca mais se viu…”

Assim canta o grupinho

Que parece mais contente

E logo chega o acordeão

Que dará voz a toda a gente.

E mais uma vez sorriu

Nª Senhora esplendorosa

Por ver a devoção de um povo

Nesta festa tão amistosa.

Espero que sempre haja

Quem continue esta festa

Que se mantenha a tradição

Nesta vila tão modesta.

Cristina R.

Falando da Freguesia de Salvaterra do Extremo,

Concelho de Idanha-a-Nova,

Distrito de Castelo Branco.

Como são as férias em Salvaterra...


Apesar de não ter participado na blogagem sobre as “férias na minha aldeia”, não podia deixar de vos contar como são as férias nesta bonita e pacata vila, situada num dos extremos de Portugal.
O que custa nisto de passar férias aqui, para mim são apenas duas coisas: a chegada e a partida… Com tantos quilómetros a percorrer e com a ânsia de cá chegar, torna-se muito cansativa a viagem; e depois de uns belos dias aqui passados, custa imenso partir, regressar ao trabalho, às preocupações do dia-a-dia, à rotina e ao stress. Mas tem de ser, e a vida é assim mesmo: feita de chegadas e partidas.
Por isso é aproveitar bem tudo o que esta vila tem para nos oferecer, pois as férias aqui, são mesmo férias…
Aqui o tempo parece dobrar-se a ele próprio, pois sobra-nos tempo para tudo e mais alguma coisa. As horas parecem não ter fim.
Aqui reina o silêncio e a calma. Aqui há muita História para descobrir; há acolhimento, simpatia e solidariedade nas gentes. Há sempre um sorriso de quem passa e a devida salvação; aqui, mesmo que não se conheçam ainda reina a boa educação e há sempre um bom dia, boa tarde ou boa noite.
É incrível como nas cidades anda tudo tão carrancudo, e aqui um sorriso nasce espontaneamente no rosto de quem passa.
Aqui bastam apenas dois dias de estadia para ficarmos logo com uma corzinha mais rosada nas faces. É o contraste entre a palidez da vida nas cidades, e a vida saudável no campo. Mas apesar de saudável quem cá vier não deve deixar o protector solar em casa, pois no Verão a partir das 10 da manhã, torna-se um suplício andar na rua, com tanto calor…
Agosto é por excelência o mês mais movimentado do ano, pois é o mês em que os filhos da terra regressam, enchendo as ruas de vida.
Se puderem tragam bicicleta, pois deve ser agradável percorrer a vila e as redondezas de bicicleta. Na impossibilidade de ter trazido a minha, ainda fui perguntar à “Casa do forno” se alugavam bicicletas, mas não: “temos algumas, mas são apenas para os hóspedes”, respondeu-me o dono.
“Podiam alugar também a quem viesse de fora”, respondi eu, uma possível cliente.
Mas não. Já tinham pensado nisso, mas envolvia terem de fazer um Seguro e depois só dava chatices.
Tive de me conformar e seguir o meu caminho a pé…
Mas também, como poderia eu fazer o percurso da “rota dos abutres” de bicicleta? Impossível naquele caminho romano que vai dar ao rio.
E esta garanto-vos: é das mais belas caminhadas que podem fazer: partindo do adro da igreja, e para quem não conhece, basta ir seguindo as placas pintadas com 2 riscas que assinalam o caminho.
Para quem não está habituado, é uma dura caminhada de 1,5 km até ao rio, pois há que descer a encosta, mas depois, também subir, o que custa mais. É como se diz: “para baixo todos os santos ajudam”…
A mim ficam-me sempre a doer as pernas ao fim do dia. Já minha avó fazia este caminho todos os dias, para ir ainda mais longe para lá do rio. Porque antigamente a vida era dura, chegava ao rio tendo de o atravessar a custo no Inverno, pois não havia ponte, e tinha de percorrer mais 4 kms para chegar à vila espanhola mais próxima: Zarza la Mayor. Era o tempo do escudo e das pesetas; era o tempo em que a vida em Espanha era mais barata que em Portugal, o que fazia com que ela fizesse o mesmo caminho de volta, carregada, com sua rodilha na cabeça e a alcofa abastecida… Mas este é um assunto que merecerá ser, por si só, mais aprofundado…
Agora fiz um desvio no tema das férias, porque me vieram à cabeça certas recordações.
Mas continuando: ao chegar ao cemitério da vila, ao “campo da egualdade” (sim, o cemitério é tão antigo que, igualdade se escrevia com “e”), viramos à direita e aí, seguimos até à caseta, um antigo posto da guarda fiscal, onde existe agora um observatório de avifauna. Esqueço-me sempre dos binóculos, e depois fico-me sempre por uma observação ao longe, muito ao longe, das aves que planam livremente lá por cima…
Mas mesmo que não se vislumbrem aves de rapina, só pelas belas paisagens já vale a pena o esforço da caminhada.
Aliás, quando chegamos mais abaixo, somos mesmo recompensados com a pura e fresca água da fonte da ribeira, onde tanta vez veio meu avô com seu burro, buscar água nas cântaras, pois não havia água canalizada.
E se continuar o percurso, chegará ao “salto da cabra”, à garganta do rio Erges, onde com toda a certeza, se sentará numa rocha e ficará perdido e deslumbrado a olhar para tamanha beleza.
Para mim é o que de melhor existe nesta terra: a natureza que nos envolve e purifica a alma. O poder banharmo-nos no rio despoluído que agora nos dá duas opções: ou a praia fluvial de um lado, ou o rio do outro. O poder ouvir toda a sinfonia que a natureza nos oferece, com o piar de tanta ave de espécies diferentes.
Ouvir também o vento sussurrar nas árvores, fazendo baloiçar alegremente os seus ramos e folhas. É o deixarmo-nos envolver completamente pela natureza, e sentirmo-nos vivos.
É o podermos passar por uma figueira e provar os seus doces figos, ou pelas amoreiras e colher as madurinhas amoras. Hummm e que boas que são. Posso sair de lá toda cheia de arranhões nas mãos, mas tudo passa quando as provo.
É de manhã ao acordar, abrirmos a janela e sermos contagiados pelo ar fresco e puro da manhã. É como já disse: o silêncio, a calma e a paz.
As férias na minha vila são melhores que no melhor dos hotéis de 5 estrelas, por tudo o que falei, pelo que não falei, e pelo melhor dos espectáculos nocturnos que só um céu estrelado nos pode oferecer. E este, não tenho sequer palavras para o descrever; simplesmente, perco-me a olhar para ele…

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sugestão de férias...

Ainda bem que há quem possa e queira investir no turismo rural.
Um casal de geólogos, cujos nomes como é óbvio não vou aqui divulgar, tendo visto toda a riqueza geológica da região, resolveram apostar (e muito bem) na recuperação de um antigo forno e na casa envolvente, para chamarem à nossa vila, gente de fora, que se queira maravilhar e usufruir dos percursos orientados por estes guias, com descrições pormenorizadas dos sítios ou das paisagens por que passam, como o canhão fluvial do Erges.
Assim, quem queira passar férias na “minha” pacata e deslumbrante vila, poderá ficar hospedado na Casa do Forno, e poderá contar com visitas guiadas, o que é bem melhor, muitas vezes, do que irmos sozinhos explorar a região. Às vezes é como olhar e nada “ver”, enquanto que, se formos acompanhados de pessoas que conhecem a região, sua história, cultura e aspectos geológicos sairemos de lá muito mais enriquecidos.
E para aqui estou eu, mais uma vez a fazer publicidade gratuita ao que não é meu, mas que, por ser o projecto bonito que é, merece ser divulgado.
E ainda bem que há quem se preocupe em recuperar antigos locais ou tradições.
Gostava era que o governo desse mais incentivos e apoios para que isso fosse possível, em aldeias quase “adormecidas”…
Turismo rural é bom, faz muito bem à saúde física e mental e merece ser incentivado…

Agora deixo-vos a compilação de um artigo que saiu na revista “Adufe” nº 14, para que possam saber mais sobre a Casa do Forno:

“É um forno quase centenário, que servia a vila raiana de Salvaterra do Extremo, nos limites fronteiriços com Espanha. Este forno comunitário mantinha intacta a sua cúpula, que resistiu ao passar dos tempos e aos rigores climáticos da região. Dois geólogos recuperaram este forno, mantendo a sua estrutura primária, que tinha a particularidade da sua câmara de cozedura estar separada da câmara de aquecimento, de forma a manter sempre a casa limpa. O projecto inicial era o de reinventar a Padaria Tradicional, fazendo o pão como era feito com os processos ancestrais.
O projecto, porém, cresceu. E assim nasceu a Casa do Forno, alojamento local, ideal para quem procura descanso e um ambiente familiar, com uma vista imensa para a raia. A casa dispõe de seis quartos, onde todas as manhãs chega o aroma de pão fresco. Aliás, o casal de anfitriões desta casa oferece o “fim-de-semana do pão”, no qual o visitante participa na sua feitura. Propõem-se igualmente ao visitante actividades temáticas no exterior: passeios de burro e rotas alternativas pelas peculiaridades da região. E para apreciadores de pizza, nada melhor que os sabores ímpares proporcionados por um forno centenário. As pizzas foram todas baptizadas com os nomes de placas tectónicas; não fosse esta uma casa de geólogos.”

Desejo a todos, umas óptimas férias…