sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Concurso "Festas e Tradições"...

Por falta de tempo, vou concorrer com um texto que já tinha postado...


A festa e a tradição da Páscoa na minha vila:

Minha aldeia na Páscoa

É linda a valer

É a Primavera em flor

É Jesus a renascer.

São os sinos a repicar

Para todos ao adro chamar

É a procissão que vai começar

Acendem-se velas para alumiar.

Alumia-se Nª Senhora

E Sto. António com o menino

Que são pelos crentes carregados

Entoando cânticos num hino.

Todos se revezam,

Para o andor carregar.

Uns cumprem promessas

Outros pedidos fazem, a rezar.

É a fé popular

Tradição já muito antiga

Foi a salvação por Nª Senhora

Que do povo foi tão amiga.

Da praga de gafanhotos

Livrou as searas fustigadas

E desde aí o povo prometeu

Sempre fazer as mesmas caminhadas.

Também um bodo se prometeu

Fazer aos pobres, anualmente

Onde nunca faltasse fartura

O carinho, a amizade e o crente.

No recinto do bodo,

Já fervilha o caldeirão

É muita a fartura neste dia

E a ninguém faltará o pão.

Antes do piquenique começar

Lá está o Sr padre para benzer

O pão, o vinho, a carne, a sopa,

E o folar, que todos hão-de comer.

Diz meu pai, por brincadeira

Que aquele vinho a todos faz bem,

Pois é o vinho de Nª Senhora

Abençoado pelo Sr. Padre: amem!

Pois não sei se é do vinho

Ou mesmo do próprio convívio

A alegria espalha-se por todos

Num contagiante alívio.

Também vêm espanhóis para o piquenique

Pois sempre prevaleceu a amizade

Entre estes dois povos vizinhos

Que juntos festejam em fraternidade.

Este ano faltaram os foguetes

E muito triste ficou o Tiago

Pois não pôde ir apanhar a cana

Para com ela brincar no largo.

“Olha a laranjinha

Que caiu, caiu,

Do cimo do monte

Nunca mais se viu…”

Assim canta o grupinho

Que parece mais contente

E logo chega o acordeão

Que dará voz a toda a gente.

E mais uma vez sorriu

Nª Senhora esplendorosa

Por ver a devoção de um povo

Nesta festa tão amistosa.

Espero que sempre haja

Quem continue esta festa

Que se mantenha a tradição

Nesta vila tão modesta.

Cristina R.

Falando da Freguesia de Salvaterra do Extremo,

Concelho de Idanha-a-Nova,

Distrito de Castelo Branco.

Como são as férias em Salvaterra...


Apesar de não ter participado na blogagem sobre as “férias na minha aldeia”, não podia deixar de vos contar como são as férias nesta bonita e pacata vila, situada num dos extremos de Portugal.
O que custa nisto de passar férias aqui, para mim são apenas duas coisas: a chegada e a partida… Com tantos quilómetros a percorrer e com a ânsia de cá chegar, torna-se muito cansativa a viagem; e depois de uns belos dias aqui passados, custa imenso partir, regressar ao trabalho, às preocupações do dia-a-dia, à rotina e ao stress. Mas tem de ser, e a vida é assim mesmo: feita de chegadas e partidas.
Por isso é aproveitar bem tudo o que esta vila tem para nos oferecer, pois as férias aqui, são mesmo férias…
Aqui o tempo parece dobrar-se a ele próprio, pois sobra-nos tempo para tudo e mais alguma coisa. As horas parecem não ter fim.
Aqui reina o silêncio e a calma. Aqui há muita História para descobrir; há acolhimento, simpatia e solidariedade nas gentes. Há sempre um sorriso de quem passa e a devida salvação; aqui, mesmo que não se conheçam ainda reina a boa educação e há sempre um bom dia, boa tarde ou boa noite.
É incrível como nas cidades anda tudo tão carrancudo, e aqui um sorriso nasce espontaneamente no rosto de quem passa.
Aqui bastam apenas dois dias de estadia para ficarmos logo com uma corzinha mais rosada nas faces. É o contraste entre a palidez da vida nas cidades, e a vida saudável no campo. Mas apesar de saudável quem cá vier não deve deixar o protector solar em casa, pois no Verão a partir das 10 da manhã, torna-se um suplício andar na rua, com tanto calor…
Agosto é por excelência o mês mais movimentado do ano, pois é o mês em que os filhos da terra regressam, enchendo as ruas de vida.
Se puderem tragam bicicleta, pois deve ser agradável percorrer a vila e as redondezas de bicicleta. Na impossibilidade de ter trazido a minha, ainda fui perguntar à “Casa do forno” se alugavam bicicletas, mas não: “temos algumas, mas são apenas para os hóspedes”, respondeu-me o dono.
“Podiam alugar também a quem viesse de fora”, respondi eu, uma possível cliente.
Mas não. Já tinham pensado nisso, mas envolvia terem de fazer um Seguro e depois só dava chatices.
Tive de me conformar e seguir o meu caminho a pé…
Mas também, como poderia eu fazer o percurso da “rota dos abutres” de bicicleta? Impossível naquele caminho romano que vai dar ao rio.
E esta garanto-vos: é das mais belas caminhadas que podem fazer: partindo do adro da igreja, e para quem não conhece, basta ir seguindo as placas pintadas com 2 riscas que assinalam o caminho.
Para quem não está habituado, é uma dura caminhada de 1,5 km até ao rio, pois há que descer a encosta, mas depois, também subir, o que custa mais. É como se diz: “para baixo todos os santos ajudam”…
A mim ficam-me sempre a doer as pernas ao fim do dia. Já minha avó fazia este caminho todos os dias, para ir ainda mais longe para lá do rio. Porque antigamente a vida era dura, chegava ao rio tendo de o atravessar a custo no Inverno, pois não havia ponte, e tinha de percorrer mais 4 kms para chegar à vila espanhola mais próxima: Zarza la Mayor. Era o tempo do escudo e das pesetas; era o tempo em que a vida em Espanha era mais barata que em Portugal, o que fazia com que ela fizesse o mesmo caminho de volta, carregada, com sua rodilha na cabeça e a alcofa abastecida… Mas este é um assunto que merecerá ser, por si só, mais aprofundado…
Agora fiz um desvio no tema das férias, porque me vieram à cabeça certas recordações.
Mas continuando: ao chegar ao cemitério da vila, ao “campo da egualdade” (sim, o cemitério é tão antigo que, igualdade se escrevia com “e”), viramos à direita e aí, seguimos até à caseta, um antigo posto da guarda fiscal, onde existe agora um observatório de avifauna. Esqueço-me sempre dos binóculos, e depois fico-me sempre por uma observação ao longe, muito ao longe, das aves que planam livremente lá por cima…
Mas mesmo que não se vislumbrem aves de rapina, só pelas belas paisagens já vale a pena o esforço da caminhada.
Aliás, quando chegamos mais abaixo, somos mesmo recompensados com a pura e fresca água da fonte da ribeira, onde tanta vez veio meu avô com seu burro, buscar água nas cântaras, pois não havia água canalizada.
E se continuar o percurso, chegará ao “salto da cabra”, à garganta do rio Erges, onde com toda a certeza, se sentará numa rocha e ficará perdido e deslumbrado a olhar para tamanha beleza.
Para mim é o que de melhor existe nesta terra: a natureza que nos envolve e purifica a alma. O poder banharmo-nos no rio despoluído que agora nos dá duas opções: ou a praia fluvial de um lado, ou o rio do outro. O poder ouvir toda a sinfonia que a natureza nos oferece, com o piar de tanta ave de espécies diferentes.
Ouvir também o vento sussurrar nas árvores, fazendo baloiçar alegremente os seus ramos e folhas. É o deixarmo-nos envolver completamente pela natureza, e sentirmo-nos vivos.
É o podermos passar por uma figueira e provar os seus doces figos, ou pelas amoreiras e colher as madurinhas amoras. Hummm e que boas que são. Posso sair de lá toda cheia de arranhões nas mãos, mas tudo passa quando as provo.
É de manhã ao acordar, abrirmos a janela e sermos contagiados pelo ar fresco e puro da manhã. É como já disse: o silêncio, a calma e a paz.
As férias na minha vila são melhores que no melhor dos hotéis de 5 estrelas, por tudo o que falei, pelo que não falei, e pelo melhor dos espectáculos nocturnos que só um céu estrelado nos pode oferecer. E este, não tenho sequer palavras para o descrever; simplesmente, perco-me a olhar para ele…

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sugestão de férias...

Ainda bem que há quem possa e queira investir no turismo rural.
Um casal de geólogos, cujos nomes como é óbvio não vou aqui divulgar, tendo visto toda a riqueza geológica da região, resolveram apostar (e muito bem) na recuperação de um antigo forno e na casa envolvente, para chamarem à nossa vila, gente de fora, que se queira maravilhar e usufruir dos percursos orientados por estes guias, com descrições pormenorizadas dos sítios ou das paisagens por que passam, como o canhão fluvial do Erges.
Assim, quem queira passar férias na “minha” pacata e deslumbrante vila, poderá ficar hospedado na Casa do Forno, e poderá contar com visitas guiadas, o que é bem melhor, muitas vezes, do que irmos sozinhos explorar a região. Às vezes é como olhar e nada “ver”, enquanto que, se formos acompanhados de pessoas que conhecem a região, sua história, cultura e aspectos geológicos sairemos de lá muito mais enriquecidos.
E para aqui estou eu, mais uma vez a fazer publicidade gratuita ao que não é meu, mas que, por ser o projecto bonito que é, merece ser divulgado.
E ainda bem que há quem se preocupe em recuperar antigos locais ou tradições.
Gostava era que o governo desse mais incentivos e apoios para que isso fosse possível, em aldeias quase “adormecidas”…
Turismo rural é bom, faz muito bem à saúde física e mental e merece ser incentivado…

Agora deixo-vos a compilação de um artigo que saiu na revista “Adufe” nº 14, para que possam saber mais sobre a Casa do Forno:

“É um forno quase centenário, que servia a vila raiana de Salvaterra do Extremo, nos limites fronteiriços com Espanha. Este forno comunitário mantinha intacta a sua cúpula, que resistiu ao passar dos tempos e aos rigores climáticos da região. Dois geólogos recuperaram este forno, mantendo a sua estrutura primária, que tinha a particularidade da sua câmara de cozedura estar separada da câmara de aquecimento, de forma a manter sempre a casa limpa. O projecto inicial era o de reinventar a Padaria Tradicional, fazendo o pão como era feito com os processos ancestrais.
O projecto, porém, cresceu. E assim nasceu a Casa do Forno, alojamento local, ideal para quem procura descanso e um ambiente familiar, com uma vista imensa para a raia. A casa dispõe de seis quartos, onde todas as manhãs chega o aroma de pão fresco. Aliás, o casal de anfitriões desta casa oferece o “fim-de-semana do pão”, no qual o visitante participa na sua feitura. Propõem-se igualmente ao visitante actividades temáticas no exterior: passeios de burro e rotas alternativas pelas peculiaridades da região. E para apreciadores de pizza, nada melhor que os sabores ímpares proporcionados por um forno centenário. As pizzas foram todas baptizadas com os nomes de placas tectónicas; não fosse esta uma casa de geólogos.”

Desejo a todos, umas óptimas férias…


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Visita a outro blogue...

Convido todos aqueles que por este cantinho passam, a visitar o blogue http://aldeiadaminhavida.blogspot.com/ pois tem lá textos muito bonitos, sobre aldeias que resistem até hoje, e que merecem o vosso voto. Eu ainda não decidi em quem vou votar, pois é difícil a escolha e ainda não consegui ler todos os textos. Ao menos para votar temos mais tempo, do que aquele que nos foi dado para escrever...

Parabéns Susana pela bonita iniciativa, e acho que não há apenas um vencedor, todos somos já vencedores, pois todos demos um pouco de nós para divulgar a nossa terra, que é o principal objectivo.

Parabéns a todos pelo esforço!

terça-feira, 9 de junho de 2009

A aldeia de minha vida...

Aldeia calma e silenciosa
Outrora por muitos habitada,
Assim é hoje Salvaterra
Do cimo do monte avistada.

As ruas ganhavam vida com as gentes
De coração nobre e generoso
Terra de meus antepassados
Cheia de história, a deste povo caloroso.

Ladeada por um rio
Que separa Espanha e Portugal
Ela resiste ainda hoje
E mantém-se intemporal.

Fecho os olhos e recordo
Meus avós com saudade
Que batalharam toda a vida
Para aos filhos dar comodidade.

Eram pobres mas felizes
Por muitos sacrifícios passaram
Sempre prezaram a família
E uns aos outros se amaram.

A calçada que é romana
Já por muitas gerações pisada,
Continua a servir-nos de caminho
E mantém-se inalterada.

Até as furdas resistem ao tempo
E mantêm-se imutáveis,
Feitas de xisto e granito
Hoje muitas são já inabitáveis.

Apenas o silêncio é cortado
Pelo badalar de um sino,
Que há muitos anos insiste
Em dar-nos as horas como um hino.

O rio que dá forma à rocha
Canta alegremente a canção
Da água cristalina e despoluída
De tanta roupa lavada, com sabão.

A fonte sempre a jorrar
Ainda hoje não secou,
A ela sempre vinha meu avô
Com a cântara e o burro que albardou.

Cada pedra da calçada
É testemunha de vida passada
Tanta História aqui foi escrita
Desde a espada à enxada.

Os brazões nos monumentos
São uma boa prova viva
Pois de épocas bem diferentes
São História ilustrativa.
As águias vigiam lá de cima
Em altos voos planando
Mantêm-se atentas a cada movimento
E descem a pique, alimento avistando.

Santuário protegido
De tanta espécie animal,
Também de flora guarnecido
Da natureza pura, um portal.

Os poços que cantam alegremente
Com o precioso líquido celeste
Deles já dependeu este povo
No tempo da vida agreste.

Ao andar por estas ruas
Invade-me uma estranha sensação
Parece que as mesmas ganham vida
Com quem só já vive, em meu coração…

Cristina R.

Falando da Freguesia de Salvaterra do Extremo,
Concelho de Idanha-a-Nova,
Distrito de Castelo Branco.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O futuro tocando o passado...

O que é preciso para fazer uma criança feliz?
Às vezes muito pouco. Às vezes as pequenas coisas que podemos fazer por eles, serão para eles as mais grandiosas e inesquecíveis…
Neste caso, apenas deixá-lo tocar o sino.
O sino que ele tantas vezes via apenas lá de baixo. Uma criança pequena em frente a uma torre que lhe parecia tão alta e inatingível. Sim, porque quando se é pequenino, tudo nos parece grande e inacessível…
O sino que ele tantas vezes pensava só a cegonha poder lá chegar, e que era tocado por alguém cá em baixo, que puxava uma corda…
E quando se é criança, e se deseja tanto algo, quando o nosso sonho se realiza, esse sim, será dos dias mais felizes e inesquecíveis da nossa vida.
E tão feliz estava este menino, que até os olhos pareciam estrelas a brilhar… Tão feliz que ainda hoje sonha e pensa nisso e em repetir novamente a experiência.
Louvo o Ti Arnaldo, o velhinho que se vê na filmagem a dar instruções, que, com os seus noventa e tal anos, continua a subir aquelas escadas estreitas, escuras e escorregadias em espiral, para chegar ao campanário da igreja, e fazer ecoar as suas badaladas pelos ares. Que Deus lhe dê muitos mais anos para assim continuar...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Jornal "Raiano"...

Hoje, em resposta ao amigo João Celorico, e a título informativo para todos aqueles que estiverem interessados, vou fazer publicidade gratuita ao jornal “Raiano”.
Este é um jornal mensal que fala das terras do Concelho de Idanha-a-Nova, e serve principalmente, para fazer chegar aos que estão longe, novas da sua terra.

Deixo-vos então os seguintes dados:

“Jornal Raiano”

Morada: Largo do Adro, 11
Idanha-a-Nova
Apartado 54
EC Idanha-a-Nova
6064 – 909 Idanha-a-Nova

Telefone do jornal: 277 202 169
E-mail: jornalraiano@gmail.com

Preço do jornal:
Avulso: € 0,70
Assinatura anual: € 8,00

Já agora deixo os meus parabéns à equipa jornalística, por darem voz a tudo o que se passa nas redondezas de Idanha, e por fazerem chegar o jornal, a muitos que estão a Kms de distância, e podem assim manter-se a par do que vai acontecendo por lá.
Bem haja, e continuação de bom trabalho!

Viagem a Salvaterra...

Esta é a minha forma de agradecer a gentileza do amigo João, colocando-lhe os seus versos aqui na frente do blog, para que “salte” logo à vista de quem por aqui passa…
Mais uma vez, um muito obrigada por eles.
Bem haja!

VIAGEM A SALVATERRA

Embrulhos e mala, de cartão,
(era o que estava na berra),
metemos dentro o coração
e vamos direitos a Salvaterra.

Na estação do Rossio,
entrámos para a carruagem.
Dos meus pais e meu tio
beijinhos e boa viagem!

O comboio lá partiu,
resfolgando, a vapor,
e até o Sol p'ra nós se riu.
O dia ia ser de calor!

Olha! Como é lindo o Tejo!
Além o campo! Além a serra!
Cumpria-se o meu desejo
a caminho de Salvaterra!

O comboio, a correr,
pouca terra, pouca terra,
parecia querer dizer,
Salvaterra, Salvaterra!

As terras p'ra trás ficando
pouca terra, pouca terra,
e nós, por dentro, pensando,
Salvaterra, Salvaterra!

Parámos no Entroncamento,
pouca terra, pouca terra,
e lá estava o pensamento,
Salvaterra, Salvaterra!

O Tejo e as margens, de xisto,
pouca terra, pouca terra,
que de espanto eu não resisto,
Salvaterra, Salvaterra!

Até a água fresca, em Belver,
pouca terra, pouca terra,
parecia continuar a dizer,
Salvaterra, Salvaterra!

Bilhas de barro, de Nisa,
pouca terra, pouca terra,
e nós, já em camisa,
Salvaterra, Salvaterra!

Castelo Branco! A paragem!
O primeiro acto encerra!
Já está metade da viagem!
Salvaterra, Salvaterra!

Mais de 2 horas de espera,
ao calor, feito um pateta.
Não havia sombra. Pudera!
Até aparecer a camioneta.

Na camioneta, modelo antigo,
pachorrenta, bem ronceira,
sinto já o calor amigo
das gentes, como eu, da Beira!

Parámos na Idanha (não a Velha)
e seguimos à Senhora da Graça,
que Boa Viagem aconselha
a todo o que por lá passa.

O calor continuava
e a camioneta, ronceira,
embalando nos levava
a caminho da Zebreira.

Ao "leque" chegados
antes de a Segura ir,
aqueles, os mais avisados,
resolvem ali sair.

E a camioneta, estilo ronceiro,
de modelo tão peculiar,
transforma tudo em padeiro,
sem farinha para amassar!

Mas já nada nos fazia "mossa",
tal a ânsia de chegar à terra,
porque até mesmo de carroça,
nós íamos a Salvaterra!

Uma vez ao adro chegados,
não sentimos mais calor.
Agora, à família abraçados,
sentimos sim, só Amor!

E pelo que sinto, cá no fundo,
já que estou na minha terra,
vou gritar a todo o Mundo,
Salvaterra, Salvaterra!

Autor: João Celorico

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A Páscoa na minha aldeia...

Sei que já estamos em Maio, e para muitos a Páscoa já está esquecida, mas só agora tive tempo de acabar estes singelos versos, referentes à Páscoa que passou. Muito mais fica por dizer, o que farei assim que tiver mais um tempinho…

A Páscoa na minha aldeia:

Minha aldeia na Páscoa
É linda a valer
É a Primavera em flor
É Jesus a renascer.

São os sinos a repicar
Para todos ao adro chamar
É a procissão que vai começar
Acendem-se velas para alumiar.

Alumia-se Nª Senhora
E Sto. António com o menino
Que são pelos crentes carregados
Entoando cânticos num hino.

Todos se revezam,
Para o andor carregar.
Uns cumprem promessas
Outros pedidos fazem, a rezar.

É a fé popular
Tradição já muito antiga
Foi a salvação por Nª Senhora
Que do povo foi tão amiga.

Da praga de gafanhotos
Livrou as searas fustigadas
E desde aí o povo prometeu
Sempre fazer as mesmas caminhadas.

Também um bodo se prometeu
Fazer aos pobres, anualmente
Onde nunca faltasse fartura
O carinho, a amizade e o crente.

No recinto do bodo,
Já fervilha o caldeirão
É muita a fartura neste dia
E a ninguém faltará o pão.

Antes do piquenique começar
Lá está o Sr padre para benzer
O pão, o vinho, a carne, a sopa,
E o folar, que todos hão-de comer.

Diz meu pai, por brincadeira
Que aquele vinho a todos faz bem,
Pois é o vinho de Nª Senhora
Abençoado pelo Sr. Padre: amem!

Pois não sei se é do vinho
Ou mesmo do próprio convívio
A alegria espalha-se por todos
Num contagiante alívio.

Também vêm espanhóis para o piquenique
Pois sempre prevaleceu a amizade
Entre estes dois povos vizinhos
Que juntos festejam em fraternidade.

Este ano faltaram os foguetes
E muito triste ficou o Tiago
Pois não pôde ir apanhar a cana
Para com ela brincar no largo.

“Olha a laranjinha
Que caiu, caiu,
Do cimo do monte
Nunca mais se viu…”

Assim canta o grupinho
Que parece mais contente
E logo chega o acordeão
Que dará voz a toda a gente.

E mais uma vez sorriu
Nª Senhora esplendorosa
Por ver a devoção de um povo
Nesta festa tão amistosa.

Espero que sempre haja
Quem continue esta festa
Que se mantenha a tradição
Nesta vila tão modesta.

Cristina R.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

As portas que Abril abriu...

Ontem enquanto ajudava meu filho a fazer os trabalhos de casa, deparei-me com este belo poema de Ary dos Santos, a propósito do 25 de Abril, e as portas que o mesmo abriu.
Por ser muito extenso, cortei algumas partes, mas quem quiser saber o resto facilmente
poderá encontrar todo o poema numa pesquisa na net.
Tinha apenas 4 anos quando se deu a revolução. Tenho apenas na lembrança, minha mãe
dizer a meu pai, muito aflita, quando este chegou a casa do trabalho,
que estava a acontecer uma revolução.
E agora, todos os anos, o país recorda como os homens corajosos do 25 de Abril,
libertaram todo o país da opressão, da escravidão, da podridão, da corrupção…
Mas basta olhar para o Portugal de hoje e perguntar: as portas que Abril abriu,
não estarão já hoje meio cerradas?...
O povo e os militares corajosos que fizeram uma revolução não de tiros, mas sim de
cravos, não fariam falta nos dias de hoje?

E sem mais dizer, deixo-vos então o poema: “As portas que Abril abriu”:



Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
(…)
Um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado.

Onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado.

Onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.

Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado.

Pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado.

Que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
(…)
Vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.

Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões

Um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.

Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.

Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.

Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão.

Esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
(…)
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.

Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.

Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.

Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.

Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
(…)
Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
– é força revolucionária!

Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.

Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.

E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras.

Desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.

E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam.

A hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.
(…)
E o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.
(…)
Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver.

Este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler

Que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.

Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.

E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.
(…)
Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.

Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.

E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.

José Carlos Ary dos Santos
Lisboa, Julho-Agosto de 1975



segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tenho saudades...

Tenho saudades da minha aldeia, que é também meu refúgio.
Tenho saudades do rio que corre sem parar, como se tivesse pressa para no mar desaguar…
Tenho saudades do vento que feliz percorre montes e vales. Invejo até a sua liberdade; nada o detém, nada o prende e pode ir para lá do horizonte…
Tenho saudades da brisa fresca da manhã, e da brisa calorenta da tarde.
Tenho saudades das noites de luar, em que o céu não pára de brilhar, e o Universo não pára de nos espantar.
Tenho saudades das estrelas-cadentes que velozes deslizam no céu nocturno.
Tenho saudades do chilrear desenfreado dos pássaros, nesta altura da Primavera.
Tenho saudades das cegonhas no campanário.
Tenho saudades das flores que despertam depois do longo Inverno, e deixam no ar o seu suave perfume.
Tenho saudades das ruas, das casas de xisto, dos passeios romanos ancestrais. Do cruzeiro à volta da estrada, do pelourinho imponente e vaidoso, da igreja mais bela de Portugal.
Tenho saudades dos passeios a pé e das paisagens maravilhosas.
Tenho saudades do ar puro e das faces rosadas que só o campo nos faz.
Tenho saudades da paz que aí sinto. Do sossego e do silêncio que me envolve.
Aqui sempre encontro a tranquilidade necessária para restabelecer forças físicas e mentais. Aqui sempre encontro a esperança que pareço já ter perdido, e a coragem para continuar.
Tenho saudades, simplesmente, de mais uma vez lá voltar…

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Está a chegar a Primavera…

Está a chegar a Primavera…
E eu espero que ela chegue bem depressa.
Estou farta do Inverno na minha vida.
Estou farta de dias escuros e cinzentos…
Estou farta do vento que sopra furioso,
Estou farta do frio que nos gela a alma…
Quero renascer nesta Primavera.
Quero sentir que vale a pena tanta luta,
Tanto esforço pela felicidade…
Quero renascer com a natureza,
Quero voltar a ser menina,
Quero que a vida me dê novas oportunidades,
Para que não cometa os mesmos erros…
Quero gritar do alto de um penhasco
E libertar tanta tristeza e agonia…
Quero recomeçar de novo neste meu grito.
Quero plantar flores com minhas lágrimas,
E quero libertar minha existência
Do vazio profundo em que mergulhou…
Do Inverno infinito em que se encontra…
Preciso de luz na minha vida,
Preciso de ti e teu amor.
Preciso daquele amor inicial
Que me fez tão, mas tão feliz…
E a quem eu queria tanto, mas tanto fazer feliz…
Preciso fugir daqui,
Mas levar-te comigo,
Para que de novo nos reencontremos…
Para que juntos encontremos a Primavera em nossas vidas…
Preciso ser feliz!
Mas para isso, só precisava que tu o fosses...
Preciso que venhas para casa que a noite já vai longa…
Preciso que deixes o Inverno lá fora,
E inundes este lar de Primavera.
Porque afinal, está a chegar a Primavera…

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O mês de Dezembro em Salvaterra...

Vou hoje fazer mais uma viagem ao passado e contar-vos como se vivia toda a época natalícia cá na terra, há uns anos atrás.
Tenho algumas memórias que me marcaram, e outras são de minha mãe, com quem falei sobre isso noutro dia.
Meu filho, de apenas 9 anos, que ia ouvindo a conversa, nem imaginava que era assim. Nem sequer acreditava que não se recebiam brinquedos como prenda, que não havia computadores, jogos ou outras coisas que as crianças de agora têm, e que afinal, nem é isso que mais precisam.
Pois é, não havia essas prendas, nem o consumismo, mas havia algo que não há hoje em dia: o verdadeiro espírito do Natal… E esse não se compra, não se vende, não se fabrica… Esse nasce em cada um de nós; nasce em conjunto numa pequena aldeia onde todos são como uma grande família… E ainda mais unidos, sempre que chegava esta altura.
Tudo começava no dia 8 de Dezembro, quando à volta da estrada todos aguardavam ansiosamente pelo madeiro, que vinha em carroças puxadas por burros (quando ainda os havia em grande quantidade; sim, porque até os burros hoje estão em extinção). Os grandes troncos de madeira vinham cobertos por lindas colchas, e atrás da carroça, vinham rapazes e raparigas, a cantar canções de Natal.
E todos juntos, fazia-se depois atrás da carroça, o percurso até ao adro da igreja, onde os troncos eram deixados no chão. Ali ficariam até ao dia 24, altura em que lhes pegavam fogo, fazendo assim uma enorme fogueira, que nunca se apagava, e que estaria toda a noite de 24 e todo o dia de 25 a queimar, para aquecer o menino Jesus.
É o Madeiro do Menino Jesus: uma tradição milenar que se mantém ainda viva nesta aldeia, bem como em muitas outras do interior do país, e que espero nunca morra.
Há lembranças que nunca se apagam de nossa memória, e esta que tenho é uma delas: o madeiro a arder em altas labaredas, e as pessoas à sua volta, também elas a aquecerem-se no frio gelado da noite.
Na noite de 24, em trabalho conjunto e alegre de família, faziam-se as filhoses que eram tendidas no joelho. À roda da lareira, com um pano sobre os joelhos, esticavam-se bocados de massa, dando uma forma única a estes doces, que eram depois fritos em azeite e polvilhados de açúcar e canela, ou sem nenhum destes temperos, para serem guardados em arcas para durarem mais tempo.
Tudo tinha de estar pronto até à meia-noite, pois não se podia faltar à missa do galo.
Depois da missa iam todos para casa e deitavam-se.
De manhã cedo, minha mãe e os irmãos, todos crianças nessa altura, tentavam acordar o mais cedo possível, e ficavam todos contentes quando minha avó lhes dava 1 caixa pequenina de bombons. Não havia cá brinquedos, livros ou outras coisas: apenas uma simples caixa de bombons. E esta já fazia a alegria de todos.
Não havia dinheiro para mais… Podiam não ter o que os meninos ricos tinham nesse dia, mas tinham tudo aquilo que seus pais lhes podiam oferecer. E principalmente, um lar onde todos eram unidos, onde reinava não só o respeito para com seus pais, mas também a devoção, o amor e o carinho uns pelos outros.
Eles, sem se darem conta, é que possuíam o verdadeiro espírito do Natal, e hoje, tenho certeza: minha mãe e meus tios tudo dariam para voltar a ser crianças, e poderem ter como presente, apenas uma simples caixinha de bombons…
Tenho poucas lembranças dos Natais que fui passar com meus avós, mas das poucas lembranças que tenho, de todas elas, tenho sempre a mesma sensação: foram os melhores Natais que tive, e nada se lhes compara, mesmo tendo, também eu, recebido apenas uns ovinhos de chocolate (eu, e meus primos). E só hoje, dou o devido valor a esses simples ovinhos de chocolate.

Mas nesta altura também ocorria por aqui outro evento, um pouco sanguinário e cruel para os porcos da aldeia, mas que morriam por uma boa causa, diziam meus avós. Morriam para dar de comer às famílias de fracos recursos, e que passaram o ano todo a engordá-los.
Em Dezembro, os filhos que tinham partido à procura de vida melhor, sempre regressavam a casa de seus pais para ajudar na atarefada matança do porco, e para levarem também eles, quando partissem novamente, o carro atestado de carne e enchidos que dariam para muitos meses do ano seguinte. Lembro-me bem de quando partíamos e meu pai dizia à minha avó: “Oh, ti Maria, não vê que o carro já está cheio? Não vê que não leva mais nada?” Mas a “ti Maria” sempre encontrava mais algum buraquinho para meter mais farnel…
E lá seguia o carro atestado (quando já tínhamos carro, pois lembro-me de antes fazer a viagem de comboio). Seguia atestado com tudo aquilo que minha avó conseguisse lá “enfiar”. E o meu pai, todo o caminho a refilar por ter pouca visibilidade no vidro traseiro…
Lembro-me de que quando regressávamos a casa, minha mãe pendurava os enchidos na chaminé, por cima do fogão, e era esta a visão que teria por muitos meses. Porque os enchidos não ficam logo bons para comer ou cozinhar. Têm de ir secando com o tempo.
Lembro-me de como eram horríveis os grunhidos de sofrimento do porco sacrificado nesta altura, em nome da tradição e da necessidade.
Os homens da família espetavam-lhe uma faca directa ao coração, para que seu sofrimento fosse menor, mas mesmo assim, era um espectáculo a que nunca consegui assistir, pois ao prenderem-no, parece que o porco já pressentia que ia morrer, e guinchava fortemente. Nunca consegui ver o porco a morrer, e por mais que me escondesse, seus grunhidos vinham sempre ter a meus ouvidos.
Pobre porco… pensava eu. Porque tinha de ser assim? Nunca me conformava com a sua triste sorte. É assim a vida e a tradição, diziam-nos os adultos. E pouco a pouco, nós crianças, lá nos conformávamos; afinal, tínhamos de comer.
Depois de chamuscada a pele do porco, tudo nele se aproveitava e seria alimento para meses.
As tripas eram muito bem lavadas no rio, e depois em casa, transformar-se-iam em enchidos de várias espécies, que seriam pendurados no tecto, ainda de madeira, da cozinha. Ali ficariam a secar, até que pudessem ser guardados e comidos. Eram chouriços, farinheiras, morcelas, paios… Tudo feito artesanalmente e pelas mãos hábeis das mulheres. Também eu ajudei a encher muitos… E não haverão nunca no Mundo, mais enchidos como estes: nada que se compare aos de agora, fabricados industrialmente.

E era assim passado o mês de Dezembro: com muito trabalho, mas também com muita alegria e união familiar.
E quando chegasse Janeiro, logo se comprariam novos “bacorinhos”, que engordariam e cresceriam durante todo o ano, para também eles terem o mesmo final que seus pais em Dezembro.

Deixo-vos com uma foto de meus queridos avós, e o resultado do árduo trabalho da matança do porco.
Era uma festa para todos, excepto para o porco, claro…

Um feliz Dezembro para todos vós. Que a paz, a saúde, a harmonia, a alegria e principalmente o amor, inunde vossos lares e corações, e se perpetue pelos restantes meses do ano…

FESTAS FELIZES!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Um à parte...

Este meu blog vai crescendo devagarinho, na medida do tempo disponível que tenho. Não está esquecido, nem sequer abandonado, apenas de vez em quando fica parado, à espera que sua dona tenha tempo para ele…
Agradeço os comentários de quem se deu ao trabalho de me ler, e que me incentiva a continuar a escrever.
A todos, o meu muito obrigada! Bem haja!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Quando terminam as férias...


O Verão está quase a terminar e a aldeia já chora os filhos que aos poucos vê partir, pela única estrada que lhe dá acesso. Estes levam na bagagem tantas recordações, momentos e emoções sempre aqui vividas. Levam lágrimas nos olhos, pois deixam para trás seus entes ou amigos queridos. É um pedaço deles que cá fica. Os seus olhos choram, o coração sente um aperto, na garganta um nó e a alma se entristece. Nunca se sabe se cá voltarão, pois a estrada da vida por vezes prega-nos partidas e termina a meio… Por isso se pede sempre, quando se parte, para cá voltar só mais um ano… E é vê-los partir, com os filhos ou netos no banco de trás, voltados para trás a acenar, a dizer adeus não só aos que ficam, mas também à aldeia que sabem ser deles, mesmo que não tenham cá nascido ou mesmo crescido. Será sempre deles, pois é aqui que estão e ficam suas raízes… E o conta-quilómetros vai passando, e eles vão-se afastando. E a saudade já começa a fazer-se sentir. Mas pensam que têm de voltar, pois a vida não é só feita de lazer ou férias. Para ganharem as férias neste local, têm de trabalhar noutro, longe, dentro ou fora do país… E lá se vão os emigrantes ou imigrantes, pela única estrada existente… Acenando às pessoas, às casas, ao campo, às árvores do caminho que parecem acompanhar-nos na corrida, durante grande parte do caminho, pelo menos, enquanto não chegamos à auto-estrada…


Quando viajo, tenho sempre a mesma sensação: à vinda parece que a viagem demora uma eternidade, à ida, chegamos tão rapidamente a casa, que até nos admiramos como pode ser o mesmo caminho. Deve ser porque à vinda, a ansiedade de cá chegar é sempre muita, daí parecer tão longo o caminho… E ao vê-los partir, esta pequenina aldeia fica ainda mais silenciosa do que já era. Só o sino da igreja corta o silêncio do ar com a badalada constante das horas. São tão poucos os que ficam, são tão poucos os que restam, os que sempre se recusaram a sair de sua terra. Mas ficam, e cá continuam o seu dia-a-dia, a maior parte com suas reformas míseras, dadas pelo nosso Estado, mas ficam, e cá vão sobrevivendo para sempre contar histórias de antigamente. Ficam, e ajudam-se mutuamente; são amigos solidários uns com os outros, são como que uma família, e sabem os problemas uns dos outros, as dificuldades por que passam, sabe-se tudo nesta terra. Sabe-se que o filho ou filha de fulano tal se divorciou, e ficou ou não com os filhos e como está a viver, sabe-se que fulano traiu fulana ou vice-versa, sabe-se das doenças que vão aparecendo… Sabe-se que fulano se doutorou em tal especialidade… Sabe-se do filho que nasce; sabe-se do filho que morre… Sabe-se de tudo aqui, mesmo que as coisas aconteçam longe… Aqui as notícias viajam à velocidade da luz e espalham-se que nem a chuva quando cai e se espalha pelos campos. Mas também se assim não fosse, de que falariam os poucos habitantes desta terra? Mas agora fala-se apenas dos filhos que partem e já deixam saudades. Fala-se da vida que levam por “lá”, e de seus empregos… Fala-se de tudo aquilo que sabem ou não sabem deles… É a saudade já a instalar-se. É o telemóvel que toca a dizer-lhes que chegaram bem e eles podem ficar descansados e reiniciar o seu dia-a-dia. Voltar para suas casas, agora tão vazias. E como ficam vazias as casas de quem parte… Como ficam vazias e silenciosas as ruas por onde andaram… Voltamos agora a prestar atenção ao som dos pássaros sempre alegres em final de tarde. E quando se ouve o barulho de um carro pensa-se logo: quem será que lá vem? Quando todos os outros partem… É o Verão que se despede, é a nostalgia do Outono que vai chegando. Antigamente com o Outono recomeçavam aqui as aulas, agora, já há muito a escola fechou, por falta de crianças… E é assim a minha aldeia. Sim, esta também é a minha aldeia, mesmo que não tenha cá nascido ou crescido… É e sempre será a minha aldeia, pois é aqui que estão minhas raízes…

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O rio Erges, em palavras...

Este rio que há séculos traça o seu percurso por entre serras e montes, por entre as pedras e a vegetação, é de uma beleza ímpar.

Aqui, onde ainda não chegou a poluição, e onde espero nunca chegue, podemos deslumbrar-nos com a magnífica paisagem, pela qual ele passa.

E como adoro este local; este rio que corre veloz no Inverno e de mansinho no Verão, lapidando há séculos os seixos e as rochas por onde passa.

Quando era criança, tinha medo de entrar na água, pois sentia as pedras escorregadias e com limo. Pensava que os peixinhos (que não fazem mal a ninguém) me iam picar, e que as cobras de água me iriam atacar… Meus avós diziam: “não tenhas medo, que aqui nada nos faz mal”… Mas quando se é criança, imaginamos tudo e mais alguma coisa que possa acontecer. Por isso, só a partir de uma certa idade, quando começamos a conhecer mais da vida, e a mudar de mentalidade, é que comecei a apreciar e a usufruir como deve ser, de toda esta beleza natural.

Agora, cada vez que lá vou, sento-me numa rocha com as pernas dentro de água e fico muito quieta… Logo vêm ter comigo pequenos peixes que me tocam nas pernas como que a explorar aquele novo e estranho território. E se me mexo, depressa se afastam com medo. Hoje são os peixes que têm medo de mim…

Aqui a água é tão limpa e pura, que podemos ver com clareza o fundo do rio (nas partes mais baixas, claro). Olho para o fundo e vasculho com o olhar à procura de seixos arredondados, para jogá-los ao rio, tentando fazer com que saltem várias vezes, ao bater na superfície da água. Mas não sou perita no “jogo” de fazer saltitar as pedras, e poucas vezes saltam, antes de mergulharem novamente na água cristalina do rio. No início, cheguei mesmo a acertar numa pessoa, tal era a falta de jeito, lol.

Ao final da tarde, temos uma sinfonia de vários sons de pássaros, insectos e rãs: é a natureza repleta de vida. O que mais fica no ouvido, é mesmo o alegre e estridente coaxar das rãs. Umas nas pedras, aproveitam o Sol que resta da tarde, outras mais tímidas, apenas espreitam mergulhadas na água. Olhamos para elas e apenas se vêem os olhos à tona da água. Observam-nas atentas, como que a pensar, que direito temos nós de estar ali a perturbar aquele espaço que é seu por direito.

Ao longo das margens, a riquíssima flora exala aromas que nos enchem as narinas e os pulmões, do mais puro oxigénio. Começo então a mergulhar na nostalgia de outros tempos, e “vejo” minha avó a pôr a roupa a corar nas margens do rio, e a esfregá-la depois nas pedras deste tanque gigante.

Só com sabão, Sol e a água deste rio, ela punha a roupa mais branca, que o mais eficaz dos detergentes de hoje em dia. Aliás, não há “OMO” que lave como a água deste rio…

Depois da roupa bem corada, esfregada e lavada, prendia uma corda ao tronco de duas árvores, e assim, improvisava um estendal onde a roupa ia secando. Enquanto isso, como naquela altura as casas não dispunham de casa de banho, e como quando queríamos tomar banho usávamos bacias, já que estávamos no rio, à espera que a roupa secasse, aproveitávamos e tomávamos banho com o mesmo sabão com que se lavava a roupa, naquela imensa banheira natural.

Embora hoje em dia, a água continue despoluída e límpida, não é como naquela altura, em que era ainda mais pura e cristalina. E como era bom tomar banho ao ar livre. Com tanto calor e o vento suave que sempre aqui corre, nem precisávamos de toalha, pois depressa secávamos. E como ficava sedoso o cabelo lavado nesta água, sem o calcário das torneiras de nossas casas modernas.

Ao passarem na minha memória estas cenas, que também fizeram parte do filme “aldeia da roupa branca”, dou por mim a cantarolar a música:

“Ó rio não te queixes,
Ai o sabão não mata,
Ai até lava os peixes,
Ai põe-nos cor de prata.
Três corpetes, um avental,
Sete fronhas, um lençol,
Três camisas do enxoval,
Que a freguesa deu ao rol.

Água fria, da ribeira,
Água fria que o sol aqueceu,
Velha aldeia, traga a ideia,
Roupa branca que a gente estendeu..."


E depois da roupa seca, as mulheres colocavam na cabeça uma rodilha e a trouxa de roupa, e faziam-se ao monte, tendo pela frente a dura subida do mesmo.

Tantos momentos felizes já testemunhou este rio… Felizes, mas também infelizes, pois muita gente o atravessou a pé para o outro lado, muitas vezes em pleno Inverno, para irem contrabandear a Espanha, pois era dura a vida nesta altura, e através do contrabando, sempre entrava mais algum dinheiro extra para as famílias com tantas bocas para alimentar (mas do contrabando falarei em pormenor noutra altura).

Quem aqui vier, não pode deixar de fazer o percurso a pé, e visitar mesmo em frente ao castelo de Penafiel, o majestoso barroco do “salto da cabra”, que vem como que um gigante lá debaixo do leito do rio, estendendo-se pela encosta acima, no comprimento de 100 metros e a altura de 20, semelhante a um navio de proa levantada.

Este é o local mais bonito do rio com enormes fragas formadas por rochedos escalvados, que se elevam a pique de ambas as margens do rio.

Este património exuberante e natural, faz hoje parte do primeiro Geoparque português, sob os auspícios da UNESCO.

As paisagens que este rio atravessa, ao longo de quilómetros, são avassaladoras e a riqueza botânica atinge o seu auge em Abril, sendo o refúgio temporário ou permanente, de mais de uma centena de espécies de aves de que se salientam, pelo seu porte, as aves de rapina e a cegonha-preta.

Este é o domínio das águias-reais, dos grifos e de outras aves que, lá do alto, espreitam as brincadeiras das lontras no rio.

É por toda esta diversidade biológica que grande parte do Erges desde a sua foz até Salvaterra do Extremo, se integra no Parque Natural do Tejo Internacional.


Este é um rio tipicamente mediterrânico que se transforma, em alguns locais, num deserto de seixos no Estio ou mostra toda a energia de um rio ainda selvagem, após grandes chuvadas. E é toda esta capacidade de erosão que formou três gargantas numa curta distância, sendo uma delas em Salvaterra, e garanto que quem lá conseguir chegar, nunca esquecerá a deslumbrante paisagem que o rio esculpiu nas rochas com o passar dos séculos…
Para quem aprecia e ama a natureza, não há local mais bonito para passear e se deslumbrar... Mas não se esqueçam de deixar o carro à porta de casa, calçar uns ténis, mochila às costas com farnel (que isto de andar muito, cansa e estes ares abrem o apetite, lol...) e a máquina fotográfica para depois mostrar aos amigos, as belas paisagens por onde passaram...

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O rio Erges em imagens...


O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai,
E de onde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia…

Excerto de “O Tejo é mais belo” (do “Guardador de Rebanhos” – Alberto Caeiro)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O céu estrelado de Salvaterra...

Numa noite quente e céu límpido de Agosto, olhamos para o céu e deslumbramo-nos com o mais belo espectáculo que a natureza nos pode oferecer.
Não há palavras suficientes que descrevam tamanha beleza.
E como me sinto pequenina no Universo a olhar para toda aquela imensidão celeste.
Sou capaz de ficar horas, assim. Lembro-me de quando meus avós eram vivos, e no tempo em que a electricidade ainda não tinha chegado a esta aldeia, sentávamo-nos à noite, na pedra que está à porta, a sentir o fresco da noite. E enquanto todos conversavam, eu ficava a olhar para o céu, até me doer o pescoço. Olhava e imaginava como seria bom poder ir lá acima, e a imaginação voava para todas as maravilhas que ali poderia encontrar. Acho que veio destas noites, o sonho desde menina, de ser astronauta. Hoje sorrio ao pensar neste sonho, mas quando se é criança, até se acredita. Porque não acreditar? Esta é a magia de ser criança…
Pois é, desde cedo comecei a viver no mundo da “Lua”. E hoje, já mulher, não resisto cada vez que cá venho, a voltar a olhar para o céu em certas noites de Agosto. Parece até que este é o melhor mês para observar os astros, e aqui, então, é extraordinário.
É uma sensação maravilhosa e grandiosa olhar para toda aquela imensidão do Cosmos e faz-me sentir tão pequenina. Como é pequeno e frágil o nosso mundo. Somos apenas uma gota na imensidão do Universo.
Quando olho o firmamento, minha alma enche-se sempre de inquietação. É o encantamento que só os poetas têm o dom de captar e transformar em palavras. É a grandiosa expressão da mais perfeita obra do Criador.
Quando ao sabor da suave brisa celeste, elevo meus olhos para o céu, parece que todos os problemas ficam para trás; parece que nada de mau me aconteceu na vida, e a minha mente enche-se de pensamentos de optimismo e coragem em relação à vida.
Quando o leve aroma da noite toma conta do ar que respiro, inspiro e encho meu ser de uma enorme sensação de paz e tranquilidade, deixando-me em harmonia com tudo o que me rodeia e com todos.
Ao fundo, oiço uma linda sinfonia, num ritmo orquestrado pelas criaturas da noite, pelos ventos uivantes que me vêm beijar a face, e deixo-me transportar pela imaginação. De repente sou criança outra vez. De repente, vejo-me de novo sentada naquele mesmo banco, e com meus avós ao lado. Ainda me lembro de algumas de nossas conversas que tivemos ali, em que meus avós me diziam incrédulos: “Oh filha! Mas tu acreditas mesmo que o homem foi à Lua? Acreditas que ele conseguiu construir aquele foguetão, e que conseguiu lá chegar? Filha, tu não acredites em tudo o que vês na televisão…” E eu sorria, e por mais que tentasse convencê-los que sim, que era verdade, nada os demovia na sua opinião. Acho que só passados muitos anos, e devido ao avanço da tecnologia, é que eles começaram a acreditar em certas coisas, não sei…
Quando surgiu a Rádio Monsanto, lembro-me de muitos serões passados à porta de casa, a sintonizar a rádio. Quando os filhos lhes ofereceram o rádio disseram: “ai, mas para que é que trouxeram cá isso? Precisamos agora nós cá disso…” Mas depois, nunca mais largaram o rádio, e já não passavam sem ele. Ali, ainda não tinha chegado a TV, daí este ser o único meio de que dispunham, para saber novas do Mundo e do país. E quando chegava a hora dos discos pedidos, estavam sempre sintonizados e fazia-se silêncio quando cantava este ou aquele cantor. Lembro-me de uma música em especial que meu avô adorava: “eu tinha um cavalo russo”. Como ele viva esta música… Acho que até sabia a letra de cor.
Belos tempos que não voltam mais…
E é assim quando nesta aldeia olho o céu: parece que todas as lembranças de uma vida me vêm à mente. Umas relembro-as com carinho e saudade, outras relembro-as como lições que a vida me deu e todos os caminhos que poderia ter seguido e não segui…
Com o passar da noite, quanto mais olho aquela imensidão, mais sinto que tudo o que é mau se esvazia de minha alma, e tudo o que é bom começa a correr por minhas veias. É a purificação natural da alma.
Aos poucos, fundo-me com a serenidade que me envolve, e como que renasço outra vez, encontrando motivos para continuar a viver cada vez mais e intensamente, tentando melhorar a cada dia e evitar cometer novamente os erros do passado.
Aqui, parece que inspiro no ar da noite uma coragem renovada.
De novo elevo meus olhos e deslumbro-me com a manta escura no céu estendida, repleta de estrelas luzentes e astros perdidos que vagueiam eternos.
Aqui, numa só noite, vejo imensas estrelas-cadentes. Aproveito e peço a cada uma um desejo, geralmente, sempre o mesmo (não é preciso muito para eu ser feliz).
Mas depois, lembro-me das aulas de Ciências: estrelas-cadentes são apenas meteoros que vagueiam pelo espaço, e que ficam incandescentes ao passar pela nossa atmosfera, ou seja: o rastro luminoso, dura apenas uns segundos, talvez por isso elas não tenham tempo sequer de realizar nossos desejos…
Sou assim eu, quando olho para o céu: penso em tudo e mais alguma coisa… Em milésimos de segundos, nem sei quantos pensamentos me ocorrem… Meu pensamento chega a ser mais rápido que uma estrela-cadente, lol.
Mas tantos como eu já olharam o céu. Por cima de nós encontra-se toda a sabedoria do Universo. Em tempos antigos, era no céu que os sacerdotes buscavam respostas para as suas indagações, que o marinheiro encontrava o rumo certo no mar, e que o lavrador descobria a época adequada para lançar a semente à terra. Tudo estava escrito nos astros, até mesmo a nossa vida…
Ao pensar nisto, procuro no céu uma resposta a minha perguntas, e o céu responde-me que só o tempo as dará…
Com o avançar da noite, e depois de muito tempo a vasculhar com o olhar, todos os recantos daquele pedacinho de céu, consigo vislumbrar a “estrada de Santiago”. Foi meu avô quem me ensinou como encontrá-la, bem como certos conjuntos de estrelas, como a Ursa-maior ou menor, as pleides, etc… E foi ele também que me contou a lenda associada à estrada de Santiago: “aquilo é um caminho no céu”, dizia ele. “Mas um caminho para onde?, perguntava eu. E ele respondia na sua imensa sabedoria: “é o caminho que fazem, em direcção ao céu, as almas penadas quando morrem. Todas as almas percorrem aquela estrada no céu…”
E eu deslumbrada, ouvia as suas histórias; histórias que passaram de geração em geração. Histórias que também um dia hei-de contar a meu filho…
Aqui há o mais lindo céu que possam imaginar. Uma beleza ímpar, que não há nas cidades ofuscadas por tantas luzes. E só aqui me sinto em paz com o Mundo e comigo mesma…
Este é um lugar especial, onde tudo parece ser possível; é um lugar que deixa muitas saudades a quem parte, e a esperança de sempre cá voltar…