Ainda bem que há quem possa e queira investir no turismo rural.
Um casal de geólogos, cujos nomes como é óbvio não vou aqui divulgar, tendo visto toda a riqueza geológica da região, resolveram apostar (e muito bem) na recuperação de um antigo forno e na casa envolvente, para chamarem à nossa vila, gente de fora, que se queira maravilhar e usufruir dos percursos orientados por estes guias, com descrições pormenorizadas dos sítios ou das paisagens por que passam, como o canhão fluvial do Erges.
Assim, quem queira passar férias na “minha” pacata e deslumbrante vila, poderá ficar hospedado na Casa do Forno, e poderá contar com visitas guiadas, o que é bem melhor, muitas vezes, do que irmos sozinhos explorar a região. Às vezes é como olhar e nada “ver”, enquanto que, se formos acompanhados de pessoas que conhecem a região, sua história, cultura e aspectos geológicos sairemos de lá muito mais enriquecidos.
E para aqui estou eu, mais uma vez a fazer publicidade gratuita ao que não é meu, mas que, por ser o projecto bonito que é, merece ser divulgado.
E ainda bem que há quem se preocupe em recuperar antigos locais ou tradições.
Gostava era que o governo desse mais incentivos e apoios para que isso fosse possível, em aldeias quase “adormecidas”…
Turismo rural é bom, faz muito bem à saúde física e mental e merece ser incentivado…
Agora deixo-vos a compilação de um artigo que saiu na revista “Adufe” nº 14, para que possam saber mais sobre a Casa do Forno:
“É um forno quase centenário, que servia a vila raiana de Salvaterra do Extremo, nos limites fronteiriços com Espanha. Este forno comunitário mantinha intacta a sua cúpula, que resistiu ao passar dos tempos e aos rigores climáticos da região. Dois geólogos recuperaram este forno, mantendo a sua estrutura primária, que tinha a particularidade da sua câmara de cozedura estar separada da câmara de aquecimento, de forma a manter sempre a casa limpa. O projecto inicial era o de reinventar a Padaria Tradicional, fazendo o pão como era feito com os processos ancestrais.
O projecto, porém, cresceu. E assim nasceu a Casa do Forno, alojamento local, ideal para quem procura descanso e um ambiente familiar, com uma vista imensa para a raia. A casa dispõe de seis quartos, onde todas as manhãs chega o aroma de pão fresco. Aliás, o casal de anfitriões desta casa oferece o “fim-de-semana do pão”, no qual o visitante participa na sua feitura. Propõem-se igualmente ao visitante actividades temáticas no exterior: passeios de burro e rotas alternativas pelas peculiaridades da região. E para apreciadores de pizza, nada melhor que os sabores ímpares proporcionados por um forno centenário. As pizzas foram todas baptizadas com os nomes de placas tectónicas; não fosse esta uma casa de geólogos.”
Desejo a todos, umas óptimas férias…
terça-feira, 23 de junho de 2009
Sugestão de férias...
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Visita a outro blogue...
Convido todos aqueles que por este cantinho passam, a visitar o blogue http://aldeiadaminhavida.blogspot.com/ pois tem lá textos muito bonitos, sobre aldeias que resistem até hoje, e que merecem o vosso voto. Eu ainda não decidi em quem vou votar, pois é difícil a escolha e ainda não consegui ler todos os textos. Ao menos para votar temos mais tempo, do que aquele que nos foi dado para escrever...
Parabéns Susana pela bonita iniciativa, e acho que não há apenas um vencedor, todos somos já vencedores, pois todos demos um pouco de nós para divulgar a nossa terra, que é o principal objectivo.
Parabéns a todos pelo esforço!
terça-feira, 9 de junho de 2009
A aldeia de minha vida...
Aldeia calma e silenciosa
Outrora por muitos habitada,
Assim é hoje Salvaterra
Do cimo do monte avistada.
As ruas ganhavam vida com as gentes
De coração nobre e generoso
Terra de meus antepassados
Cheia de história, a deste povo caloroso.
Ladeada por um rio
Que separa Espanha e Portugal
Ela resiste ainda hoje
E mantém-se intemporal.
Fecho os olhos e recordo
Meus avós com saudade
Que batalharam toda a vida
Para aos filhos dar comodidade.
Eram pobres mas felizes
Por muitos sacrifícios passaram
Sempre prezaram a família
E uns aos outros se amaram.
A calçada que é romana
Já por muitas gerações pisada,
Continua a servir-nos de caminho
E mantém-se inalterada.
Até as furdas resistem ao tempo
E mantêm-se imutáveis,
Feitas de xisto e granito
Hoje muitas são já inabitáveis.
Apenas o silêncio é cortado
Pelo badalar de um sino,
Que há muitos anos insiste
Em dar-nos as horas como um hino.
O rio que dá forma à rocha
Canta alegremente a canção
Da água cristalina e despoluída
De tanta roupa lavada, com sabão.
A fonte sempre a jorrar
Ainda hoje não secou,
A ela sempre vinha meu avô
Com a cântara e o burro que albardou.
Cada pedra da calçada
É testemunha de vida passada
Tanta História aqui foi escrita
Desde a espada à enxada.
Os brazões nos monumentos
São uma boa prova viva
Pois de épocas bem diferentes
São História ilustrativa.
Outrora por muitos habitada,
Assim é hoje Salvaterra
Do cimo do monte avistada.
As ruas ganhavam vida com as gentes
De coração nobre e generoso
Terra de meus antepassados
Cheia de história, a deste povo caloroso.
Ladeada por um rio
Que separa Espanha e Portugal
Ela resiste ainda hoje
E mantém-se intemporal.
Fecho os olhos e recordo
Meus avós com saudade
Que batalharam toda a vida
Para aos filhos dar comodidade.
Eram pobres mas felizes
Por muitos sacrifícios passaram
Sempre prezaram a família
E uns aos outros se amaram.
A calçada que é romana
Já por muitas gerações pisada,
Continua a servir-nos de caminho
E mantém-se inalterada.
Até as furdas resistem ao tempo
E mantêm-se imutáveis,
Feitas de xisto e granito
Hoje muitas são já inabitáveis.
Apenas o silêncio é cortado
Pelo badalar de um sino,
Que há muitos anos insiste
Em dar-nos as horas como um hino.
O rio que dá forma à rocha
Canta alegremente a canção
Da água cristalina e despoluída
De tanta roupa lavada, com sabão.
A fonte sempre a jorrar
Ainda hoje não secou,
A ela sempre vinha meu avô
Com a cântara e o burro que albardou.
Cada pedra da calçada
É testemunha de vida passada
Tanta História aqui foi escrita
Desde a espada à enxada.
Os brazões nos monumentos
São uma boa prova viva
Pois de épocas bem diferentes
São História ilustrativa.
As águias vigiam lá de cima
Em altos voos planando
Mantêm-se atentas a cada movimento
E descem a pique, alimento avistando.
Santuário protegido
De tanta espécie animal,
Também de flora guarnecido
Da natureza pura, um portal.
Os poços que cantam alegremente
Com o precioso líquido celeste
Deles já dependeu este povo
No tempo da vida agreste.
Ao andar por estas ruas
Invade-me uma estranha sensação
Parece que as mesmas ganham vida
Com quem só já vive, em meu coração…
Cristina R.
Falando da Freguesia de Salvaterra do Extremo,
Concelho de Idanha-a-Nova,
Distrito de Castelo Branco.
Em altos voos planando
Mantêm-se atentas a cada movimento
E descem a pique, alimento avistando.
Santuário protegido
De tanta espécie animal,
Também de flora guarnecido
Da natureza pura, um portal.
Os poços que cantam alegremente
Com o precioso líquido celeste
Deles já dependeu este povo
No tempo da vida agreste.
Ao andar por estas ruas
Invade-me uma estranha sensação
Parece que as mesmas ganham vida
Com quem só já vive, em meu coração…
Cristina R.
Falando da Freguesia de Salvaterra do Extremo,
Concelho de Idanha-a-Nova,
Distrito de Castelo Branco.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
O futuro tocando o passado...
O que é preciso para fazer uma criança feliz?
Às vezes muito pouco. Às vezes as pequenas coisas que podemos fazer por eles, serão para eles as mais grandiosas e inesquecíveis…
Neste caso, apenas deixá-lo tocar o sino.
O sino que ele tantas vezes via apenas lá de baixo. Uma criança pequena em frente a uma torre que lhe parecia tão alta e inatingível. Sim, porque quando se é pequenino, tudo nos parece grande e inacessível…
O sino que ele tantas vezes pensava só a cegonha poder lá chegar, e que era tocado por alguém cá em baixo, que puxava uma corda…
E quando se é criança, e se deseja tanto algo, quando o nosso sonho se realiza, esse sim, será dos dias mais felizes e inesquecíveis da nossa vida.
E tão feliz estava este menino, que até os olhos pareciam estrelas a brilhar… Tão feliz que ainda hoje sonha e pensa nisso e em repetir novamente a experiência.
Louvo o Ti Arnaldo, o velhinho que se vê na filmagem a dar instruções, que, com os seus noventa e tal anos, continua a subir aquelas escadas estreitas, escuras e escorregadias em espiral, para chegar ao campanário da igreja, e fazer ecoar as suas badaladas pelos ares. Que Deus lhe dê muitos mais anos para assim continuar...
Às vezes muito pouco. Às vezes as pequenas coisas que podemos fazer por eles, serão para eles as mais grandiosas e inesquecíveis…
Neste caso, apenas deixá-lo tocar o sino.
O sino que ele tantas vezes via apenas lá de baixo. Uma criança pequena em frente a uma torre que lhe parecia tão alta e inatingível. Sim, porque quando se é pequenino, tudo nos parece grande e inacessível…
O sino que ele tantas vezes pensava só a cegonha poder lá chegar, e que era tocado por alguém cá em baixo, que puxava uma corda…
E quando se é criança, e se deseja tanto algo, quando o nosso sonho se realiza, esse sim, será dos dias mais felizes e inesquecíveis da nossa vida.
E tão feliz estava este menino, que até os olhos pareciam estrelas a brilhar… Tão feliz que ainda hoje sonha e pensa nisso e em repetir novamente a experiência.
Louvo o Ti Arnaldo, o velhinho que se vê na filmagem a dar instruções, que, com os seus noventa e tal anos, continua a subir aquelas escadas estreitas, escuras e escorregadias em espiral, para chegar ao campanário da igreja, e fazer ecoar as suas badaladas pelos ares. Que Deus lhe dê muitos mais anos para assim continuar...
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
Jornal "Raiano"...
Hoje, em resposta ao amigo João Celorico, e a título informativo para todos aqueles que estiverem interessados, vou fazer publicidade gratuita ao jornal “Raiano”.
Este é um jornal mensal que fala das terras do Concelho de Idanha-a-Nova, e serve principalmente, para fazer chegar aos que estão longe, novas da sua terra.

Deixo-vos então os seguintes dados:
“Jornal Raiano”
Morada: Largo do Adro, 11
Idanha-a-Nova
Apartado 54
EC Idanha-a-Nova
6064 – 909 Idanha-a-Nova
Telefone do jornal: 277 202 169
E-mail: jornalraiano@gmail.com
Preço do jornal:
Avulso: € 0,70
Assinatura anual: € 8,00
Já agora deixo os meus parabéns à equipa jornalística, por darem voz a tudo o que se passa nas redondezas de Idanha, e por fazerem chegar o jornal, a muitos que estão a Kms de distância, e podem assim manter-se a par do que vai acontecendo por lá.
Bem haja, e continuação de bom trabalho!
Este é um jornal mensal que fala das terras do Concelho de Idanha-a-Nova, e serve principalmente, para fazer chegar aos que estão longe, novas da sua terra.

Deixo-vos então os seguintes dados:
“Jornal Raiano”
Morada: Largo do Adro, 11
Idanha-a-Nova
Apartado 54
EC Idanha-a-Nova
6064 – 909 Idanha-a-Nova
Telefone do jornal: 277 202 169
E-mail: jornalraiano@gmail.com
Preço do jornal:
Avulso: € 0,70
Assinatura anual: € 8,00
Já agora deixo os meus parabéns à equipa jornalística, por darem voz a tudo o que se passa nas redondezas de Idanha, e por fazerem chegar o jornal, a muitos que estão a Kms de distância, e podem assim manter-se a par do que vai acontecendo por lá.
Bem haja, e continuação de bom trabalho!
Viagem a Salvaterra...
Esta é a minha forma de agradecer a gentileza do amigo João, colocando-lhe os seus versos aqui na frente do blog, para que “salte” logo à vista de quem por aqui passa…
Mais uma vez, um muito obrigada por eles.
Bem haja!
VIAGEM A SALVATERRA
Mais uma vez, um muito obrigada por eles.
Bem haja!

VIAGEM A SALVATERRA
Embrulhos e mala, de cartão,
(era o que estava na berra),
metemos dentro o coração
e vamos direitos a Salvaterra.
Na estação do Rossio,
entrámos para a carruagem.
Dos meus pais e meu tio
beijinhos e boa viagem!

O comboio lá partiu,
resfolgando, a vapor,
e até o Sol p'ra nós se riu.
O dia ia ser de calor!
Olha! Como é lindo o Tejo!
Além o campo! Além a serra!
Cumpria-se o meu desejo
a caminho de Salvaterra!
O comboio, a correr,
pouca terra, pouca terra,
parecia querer dizer,
Salvaterra, Salvaterra!
As terras p'ra trás ficando
pouca terra, pouca terra,
e nós, por dentro, pensando,

Salvaterra, Salvaterra!
Parámos no Entroncamento,
pouca terra, pouca terra,
e lá estava o pensamento,
Salvaterra, Salvaterra!
O Tejo e as margens, de xisto,
pouca terra, pouca terra,
que de espanto eu não resisto,
Salvaterra, Salvaterra!
Até a água fresca, em Belver,
pouca terra, pouca terra,
parecia continuar a dizer,
Salvaterra, Salvaterra!
Bilhas de barro, de Nisa,
pouca terra, pouca terra,
e nós, já em camisa,

Salvaterra, Salvaterra!
Castelo Branco! A paragem!
O primeiro acto encerra!
Já está metade da viagem!
Salvaterra, Salvaterra!
Mais de 2 horas de espera,
ao calor, feito um pateta.
Não havia sombra. Pudera!
Até aparecer a camioneta.
Na camioneta, modelo antigo,
pachorrenta, bem ronceira,
sinto já o calor amigo
das gentes, como eu, da Beira!
+052.jpg)
Parámos na Idanha (não a Velha)
e seguimos à Senhora da Graça,
que Boa Viagem aconselha
a todo o que por lá passa.
O calor continuava
e a camioneta, ronceira,
embalando nos levava
a caminho da Zebreira.
Ao "leque" chegados
antes de a Segura ir,
aqueles, os mais avisados,

resolvem ali sair.
E a camioneta, estilo ronceiro,
de modelo tão peculiar,
transforma tudo em padeiro,
sem farinha para amassar!
Mas já nada nos fazia "mossa",
tal a ânsia de chegar à terra,
porque até mesmo de carroça,
nós íamos a Salvaterra!

Uma vez ao adro chegados,
não sentimos mais calor.
Agora, à família abraçados,
sentimos sim, só Amor!
E pelo que sinto, cá no fundo,
já que estou na minha terra,
vou gritar a todo o Mundo,
Salvaterra, Salvaterra!
Autor: João Celorico
quarta-feira, 6 de maio de 2009
A Páscoa na minha aldeia...
Sei que já estamos em Maio, e para muitos a Páscoa já está esquecida, mas só agora tive tempo de acabar estes singelos versos, referentes à Páscoa que passou. Muito mais fica por dizer, o que farei assim que tiver mais um tempinho…
A Páscoa na minha aldeia:
Minha aldeia na Páscoa
É linda a valer
É a Primavera em flor
É Jesus a renascer.
São os sinos a repicar
Para todos ao adro chamar
É a procissão que vai começar
Acendem-se velas para alumiar.
Alumia-se Nª Senhora
E Sto. António com o menino
Que são pelos crentes carregados
Entoando cânticos num hino.
Todos se revezam,
Para o andor carregar.
Uns cumprem promessas
Outros pedidos fazem, a rezar.
É a fé popular
Tradição já muito antiga
Foi a salvação por Nª Senhora
Que do povo foi tão amiga.
Da praga de gafanhotos
Livrou as searas fustigadas
E desde aí o povo prometeu
Sempre fazer as mesmas caminhadas.
Também um bodo se prometeu
Fazer aos pobres, anualmente
Onde nunca faltasse fartura
O carinho, a amizade e o crente.
No recinto do bodo,
Já fervilha o caldeirão
É muita a fartura neste dia
E a ninguém faltará o pão.
Antes do piquenique começar
Lá está o Sr padre para benzer
O pão, o vinho, a carne, a sopa,
E o folar, que todos hão-de comer.
Diz meu pai, por brincadeira
Que aquele vinho a todos faz bem,
Pois é o vinho de Nª Senhora
Abençoado pelo Sr. Padre: amem!
Pois não sei se é do vinho
Ou mesmo do próprio convívio
A alegria espalha-se por todos
Num contagiante alívio.
Também vêm espanhóis para o piquenique
Pois sempre prevaleceu a amizade
Entre estes dois povos vizinhos
Que juntos festejam em fraternidade.
Este ano faltaram os foguetes
E muito triste ficou o Tiago
Pois não pôde ir apanhar a cana
Para com ela brincar no largo.
“Olha a laranjinha
Que caiu, caiu,
Do cimo do monte
Nunca mais se viu…”
Assim canta o grupinho
Que parece mais contente
E logo chega o acordeão
Que dará voz a toda a gente.
E mais uma vez sorriu
Nª Senhora esplendorosa
Por ver a devoção de um povo
Nesta festa tão amistosa.
Espero que sempre haja
Quem continue esta festa
Que se mantenha a tradição
Nesta vila tão modesta.
Cristina R.
A Páscoa na minha aldeia:
Minha aldeia na Páscoa
É linda a valer
É a Primavera em flor
É Jesus a renascer.
São os sinos a repicar
Para todos ao adro chamar
É a procissão que vai começar
Acendem-se velas para alumiar.
Alumia-se Nª Senhora
E Sto. António com o menino
Que são pelos crentes carregados
Entoando cânticos num hino.
Todos se revezam,
Para o andor carregar.
Uns cumprem promessas
Outros pedidos fazem, a rezar.
É a fé popular
Tradição já muito antiga
Foi a salvação por Nª Senhora
Que do povo foi tão amiga.
Da praga de gafanhotos
Livrou as searas fustigadas
E desde aí o povo prometeu
Sempre fazer as mesmas caminhadas.
Também um bodo se prometeu
Fazer aos pobres, anualmente
Onde nunca faltasse fartura
O carinho, a amizade e o crente.
No recinto do bodo,
Já fervilha o caldeirão
É muita a fartura neste dia
E a ninguém faltará o pão.
Antes do piquenique começar
Lá está o Sr padre para benzer
O pão, o vinho, a carne, a sopa,
E o folar, que todos hão-de comer.
Diz meu pai, por brincadeira
Que aquele vinho a todos faz bem,
Pois é o vinho de Nª Senhora
Abençoado pelo Sr. Padre: amem!
Pois não sei se é do vinho
Ou mesmo do próprio convívio
A alegria espalha-se por todos
Num contagiante alívio.
Também vêm espanhóis para o piquenique
Pois sempre prevaleceu a amizade
Entre estes dois povos vizinhos
Que juntos festejam em fraternidade.
Este ano faltaram os foguetes
E muito triste ficou o Tiago
Pois não pôde ir apanhar a cana
Para com ela brincar no largo.
“Olha a laranjinha
Que caiu, caiu,
Do cimo do monte
Nunca mais se viu…”
Assim canta o grupinho
Que parece mais contente
E logo chega o acordeão
Que dará voz a toda a gente.
E mais uma vez sorriu
Nª Senhora esplendorosa
Por ver a devoção de um povo
Nesta festa tão amistosa.
Espero que sempre haja
Quem continue esta festa
Que se mantenha a tradição
Nesta vila tão modesta.
Cristina R.
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