segunda-feira, 28 de julho de 2008

Um simples gesto, que tanto diz...


Hoje, enquanto esperava a minha vez para ser atendida pelo dentista, sentada há mais de uma hora à espera, fui observando quem ia entrando e saindo daquela clínica.
Depois de se estar sentada há mais de uma hora à espera, já tivemos tempo de ler todas as revistas ali expostas, e só nos resta olhar uns para os outros. Às vezes olhamos, e nem estamos a ver nada. Olhamos só por olhar. Às vezes as pessoas até podem pensar: “para onde está aquela a olhar?”, e nem sequer as estamos a olhar com olhos de ver.
Mas ali sentada à espera, e já sem posição de estar na cadeira, depois de já ter lido uma data de revistas, outras apenas folhear, depois de já ter lido vezes sem conta os placards nas paredes, eis que entra um senhor já de idade. Dirige-se à recepção e pergunta: “a minha esposa já saiu?” Ao que a recepcionista responde que não, e ele vai sentar-se. É mais um que se junta a nós; ao grupo dos “esperas”.
Perdemos tanto tempo na vida à espera de ser atendidos, nas mais diversas ocasiões… Às vezes até com sonhos perdemos tempo; sonhos que esperámos ver atendidos e foram pura perda de tempo. Mas ao menos, enquanto sonhámos fomos felizes, na espera, na incógnita do que iria acontecer…
Mas voltando ao senhor de idade, que devia estar na casa dos 60 ou 70, não sei.
Naquela clínica existem várias especialidades médicas, entre as quais fisioterapia.
De repente, vejo sair de uma sala uma senhora a ser empurrada numa cadeira de rodas por um homem de bata branca, que segundo o cartão trazido ao peito era fisioterapeuta. Imaginei qual seria a maleita daquela senhora, coisa que nunca vim a saber, mas o que me marcou mesmo, foi o gesto do senhor de idade que por ela esperava. Assim que a viu sair, levantou-se e dirigiu-se a ela, dizendo-lhe: “por hoje estás despachada!” Ela apenas sorriu, mas um sorriso triste; o sorriso de quem está doente, talvez…
O fisioterapeuta concordou dizendo: “por hoje está despachada e amanhã será um outro dia”.
O marido, então, olhou para ela novamente e passou-lhe a mão no rosto, fazendo-lhe uma carícia. E foi aquele gesto que me marcou: a ternura no olhar dele para com ela. Um simples gesto, que tanto disse; um simples gesto que fala só por si…
E eu fiquei a pensar: “na saúde e na doença…” Na saúde, mas principalmente na doença, que é quando mais precisamos do outro…
E eu fiquei a pensar como seria eu naquela idade (se lá chegar, claro), e principalmente, terei eu o carinho de alguém que goste de mim, ainda que doente? Alguém que se preocupe comigo e cuide de mim se eu não puder?
Porque infelizmente, hoje em dia, nada é eterno, como já me disseram tanta vez. Hoje em dia ninguém se preocupa com o outro, apenas consigo mesmo.
E como será que a geração de hoje quando tiver aquela idade se vai comportar? Assusto-me só de pensar nisso.
Queria tanto ter a relação que têm meus pais, que tiveram até meus avós, a quem dedico todo este blog. Uma relação em que nem sempre tudo vai bem, mas uma relação em que há principalmente: respeito, amizade, carinho e ainda amor… Porque no fundo, o amor constrói-se e solidifica ao longo dos anos. O amor são duas vidas que crescem juntas, que ultrapassam obstáculos e idealizam juntos uma vida.
A alma gémea, já não acredito que exista, a pessoa perfeita para nós não existe, pois ninguém é perfeito. E aquele que te parecer perfeito um dia, foge dele a sete pés, pois é só fachada…
Procuramos alguém perfeito, para completar as nossas próprias imperfeições, e só anos depois é que chegamos à conclusão que a alma gémea, é afinal, a pessoa que nos faz pensar, que nos faz enfrentar os problemas, é a pessoa com quem discutimos, mas também nos reconciliamos.
É a pessoa com quem até nos podemos chatear todos os dias, mas com quem sempre podemos contar. É a pessoa com quem planeamos o futuro…
Não existe nenhuma relação perfeita, existe sim a capacidade de enfrentar os problemas e as discórdias quando surgem. E esta capacidade tiveram-na meus avós, têm-na meus pais e tantos outros casais, como aquele hoje lá da clínica.
Há gestos que valem mais que mil palavras…
Infelizmente, hoje em dia, o mundo anda tão desprovido de simples gestos como aquele…
Cada vez estamos mais empobrecidos como seres humanos…

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O pôr-do-Sol em Salvaterra...

Aqui neste recanto
Mesmo no extremo de Portugal
Existe o mais lindo encanto,
Um pôr-do-Sol como não há igual.



Tantas vezes o admiro
Se as nuvens o não escondem
Foi por mãos divinas pintado
E a meus apelos parece que respondem.



Nunca viste nada assim
Um completo deleite para a alma
Só de observá-lo nos sentimos
Em harmonia, paz e calma.



Cores deslumbrantes,
No mais lindo entardecer.
Com ele vem a melancolia
Que nos faz no tempo perder.



Na memória ficaram meus avós
Que sempre nos acolhiam com ternura
A eles dedico estes versos
E estas imagens de candura.



Nunca vos disse que vos amava
Só para mim guardei certos pensamentos.
Acabaram por ir embora
Sem saberem de meus sentimentos.



E hoje olho o pôr-do-Sol
Sol que se encontra quase posto
Aqui no mesmo quintal
Onde meus avós o viram exposto.



Não há maior fascínio
Que esta maravilha solar
Todos a podem ver
Mas só alguns, seu coração tocar.



Amanhã pela tardinha
Nos voltará a deslumbrar
Peço a Deus muitos anos
Para o poder sempre contemplar.



Meus olhos se encherão de fogo
Com o enorme disco solar
E meu coração encontra a paz
E de novo, me fará sonhar…

Cristina R.

Todos os direitos reservados para as fotos e o texto. Proibido a sua publicação por inteiro ou parcial.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Um pouco do que podes ver...

Durante séculos, a aldeia de Salvaterra do Extremo foi uma vigilante atenta da Raia, em despique diário e directo com a fortaleza espanhola vizinha de Peña Fiel.

Foi também centro de "grandes senhores da terra". Aos poucos perdeu vitalidade, mas permanecem imensos factos e valores que justificam uma visita.

Logo à entrada de Salvaterra do Extremo fica a Capela da Nossa Senhora da Consolação (que terá livrado o povo de uma praga de gafanhotos).

Em sua honra, todos os anos se realiza o Bodo, grandiosa festa que põe à disposição dos visitantes um abundante repasto (no segundo Domingo após a Páscoa).

Bem perto, atente-se no Aqueduto, com um grande chafariz (encimado pelas armas da coroa real) e uma cisterna.

Já na povoação, repare-se na bem conservada Casa da Câmara e na sua Torre Sineira (de onde se avistam largos horizontes); na Igreja Matriz (com o seu altar de talha dourada); as ruas típicas, onde as casas senhoriais alternam com casas modestas de portas de postigo; e na Casa do Sardão. Nos dias ensolarados podem ver-se mulheres a trabalhar nas rendas locais tradicionais (de duas e cinco agulhas).


Nas proximidades do aglomerado, na direcção do rio, vale a pena ver: as ruínas da Capela de S. Pedro; a fantástica Calçada Romana que, através de um aprazível percurso por entre muros e olivais nos leva até à praia fluvial e às azenhas do Erges; as furdas, tradicionais pocilgas construídas em pedra, de forma cilíndrica (como as que existem junto à Calçada Romana).


Finalmente, sugira-se uma visita às gargantas do rio Erges, entre Salvaterra do Extremo e o castelo espanhol de Peña Fiel, com fragas admiráveis como as da Fonte de Ribeira, do Salto da Amendoeira, do Saltinho, do Lajoeiro e do Salto Grande (sobretudo esta última que é um verdadeiro mirante). É o domínio das águias-reais e de outras aves de rapina que, lá do alto, espreitam as brincadeiras das lontras no rio.

Outrora, foi também domínio de contrabandistas e destemidos aventureiros, cuja memória e histórias vale a pena recordar nas memórias ainda vivas dos poucos habitantes que restam actualmente nesta vila...

Salvaterra do Extremo...


Situada junto da fronteira com Espanha e de origem muito antiga, Salvaterra do Extremo foi um reduto fortificado pelos romanos e pelos árabes. Seria, posteriormente, sobre estas ruínas que D. Afonso Henriques mandaria construir o castelo.
D. Sancho II atribui-lhe, em 1229, foral.
Existiu como concelho até 1855, altura em que foi anexada ao concelho de Idanha-a-Nova.
Das regalias municipais de outros tempos, conserva como testemunho, o pelourinho pois, do seu castelo e fortaleza já nada existe.Relativamente à actividade económica da vila, encontram-se documentos alusivos à exploração mineira (volfrâmio, chumbo, estanho e ouro) mas actualmente esta indústria deu lugar à pastorícia, agricultura de subsistência e ao comércio.À semelhança de Monfortinho, Salvaterra do Extremo tem como padroeira Nossa Senhora da Consolação e na 2ª feira de Páscoa e desde 1905 realiza o tradicional bodo, festa de abundância e alegria, em sequência de uma promessa ancestral (de Nossa Senhora proteger as searas de uma violenta praga de gafanhotos). Após a missa e procissão, centenas de habitantes e espanhóis confraternizam no recinto do bodo, onde são servidos, gratuitamente, pratos típicos de borrego e vinho à descrição.Toda esta freguesia tem um encanto especial. As pessoas são afáveis e hospitaleiras, pelas ruas encontramos pequenas maravilhas como: a casa dos Sardões, o poço em forma de meia lua, a Casa da Câmara e a torre sineira, as casas típicas de xisto, as cegonhas no campanário e as interessantes pocilgas de granito em forma cilíndrica. Não perca ainda a oportunidade de efectuar um passeio pedestre pelas fragas do Erges e pela calçada romana próxima da praia fluvial e das azenhas.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O objectivo deste blog...

Este blog será dedicado a uma pequena aldeia, num dos extremos de Portugal.
Terra de meus antepassados, terra de muitas histórias, terra de tradições e gente boa...
Se quiseres poderás deixar aqui também, o testemunho da tua terra.
A intenção é "viajar cá dentro". Dar a conhecer as vilas, aldeias, cidades bonitas de Portugal, e seu ríquissimo património...